18:30 - Círculo de leituras anárquicas: Deserto (texto anónimo)
Seguido de jantar
Texto original em inglês: https://theanarchistlibrary.org/library/anonymous-desert
Versão em português: https://bibliotecaanarquista.org/library/anonimo-deserto
O espectro que muitos tentam não ver é uma simples constatação: o mundo não será "salvo". A revolução anarquista global não vai acontecer. As alterações climáticas globais são agora imparáveis. Não veremos o fim mundial da civilização/capitalismo/patriarcado/autoridade. Não vai acontecer tão cedo. É improvável que algum dia aconteça. O mundo não será "salvo". Nem por activistas, nem por movimentos de massas, nem por instituições de caridade, nem por um proletariado global insurgente. O mundo não será "salvo". Esta constatação magoa as pessoas. Elas não querem que seja verdade! Mas provavelmente é.
Estas constatações, este abandono de ilusões, não se deveriam tornar incapacitantes. No entanto, se alguém acredita que é tudo ou nada, então há um problema. Muitos amigos "abandonaram" o "movimento", enquanto outros se mantiveram nos velhos padrões, mas com uma tristeza e um cinismo que sinalizam um sentimento de futilidade. Alguns rondam as cenas criticando tudo, mas vivendo e lutando pouco.
"Não é o desespero — consigo lidar com o desespero. É com a esperança que não consigo lidar."
A esperança de um Grande Final Feliz magoa as pessoas; prepara o terreno para a dor sentida quando se desiludem. Porque, na verdade, quem de nós acredita realmente nisso? Quantos foram consumidos pelo esforço necessário para conciliar uma fé fundamentalmente religiosa na transformação positiva do mundo com a realidade da vida que nos rodeia? No entanto, estar desiludido — com a revolução global/com a nossa capacidade de travar as alterações climáticas — não deve alterar a nossa natureza anarquista, nem o amor pela natureza que sentimos enquanto anarquistas. Existem ainda muitas possibilidades de liberdade e de vida selvagem.
Quais são algumas dessas possibilidades e como podemos vivê-las? O que significaria ser anarquista, ambientalista, quando a revolução global e a sustentabilidade social/ecológica mundial não são o objetivo? Que objetivos, que planos, que vidas, que aventuras existem quando as ilusões são postas de lado e caminhamos pelo mundo não paralisados pela desilusão, mas livres do fardo da mesma?
