domingo, 12 de dezembro de 2021

Sábado, 18 Dezembro no CCL: O advento da quarta revolução industrial: viragem autoritária, impulsos reacionários e revoltas urbanas

 


17h – Conversa

20h – Jantar benefit para companheiros italianos

Desde há alguns anos ouve-se falar de quarta revolução industrial. Esta é a última mudança do modo de produção capitalista. É um processo de reestruturação feito pela introdução de técnicas tais como inteligência artificial, internet das coisas, robôs, realidade aumentada, big data, etc.

A partir da 1ª Revolução Industrial, as máquinas vieram substituir, gradualmente, o trabalho humano: desde o fim do século XVIII com a introdução do tear mecânico e o uso do motor a vapor, a primeira linha de montagem alimentada pela energia elétrica em 1870, os primeiros softwares em 1969 e o controlo automatizado das fábricas, até às smart factories dos nossos dias. Estes são apenas uns poucos dos muitos exemplos de mudança do modus operandi da produção capitalista, mudanças prestes a acontecerem também no âmbito político. Suportada pelo auxílio das novíssimas tecnologias, a viragem autoritária que está a envolver, em primeira linha, os países da União Europeia está à vista de todos. As medidas de lockdown, junto com a incrementação do controlo policial, estão a limitar os assim-chamados “direitos do Estado liberal-democrático”, deixando intactas as suas estruturas formais (Parlamentos, Sistemas Judiciários, Formas de governo etc). Contra isso tudo, em diferentes partes do mundo, um movimento amorfo e contraditório está a se erguer, se bem que caracterizado, por vezes, por impulsos reacionários e religiosos, em defesa da “antiga normalidade”.

Apesar disso, este magma não se deixa cooptar por alguma organização política que sirva enquanto intermediação entre os protestos e o Estado, fazendo com que a raiva transborde e gere episódios de cólera coletiva e individual, lançando, assim, sementes de revoltas espontâneas.   

Sábado 18 de dezembro, no CCL, vamos conversar sobre o impacto das tecnologias trazidas pela quarta revolução industrial nas nossas vidas e das consequências dessa viragem autoritária do Estado. A seguir, haverá um jantar benefit para alguns companheiros italianos atingidos pela operação repressiva “Sibilla” (novembro 2021). 

segunda-feira, 6 de dezembro de 2021

11 de Dezembro no CCL: Apresentação do livro “Contra o Leviatã, Contra a sua História” de Fredy Perlman


18h - Apresentação do livro “Contra o Leviatã, Contra a sua História” de Fredy Perlman, pelo seu tradutor

20h -  Jantar vegano


Contra o Leviatã, Contra a sua História / de Fredy Perlman (Tradução de Pedro Morais). Livros Flauta de Luz, 2021.

Uma das obras-primas de Fredy Perlman, Contra o Leviatã, Contra a sua História foi publicado pela primeira vez em 1983, em Detroit. Neste ensaio, cuja investigação durou meia década e levou o autor a visitar locais arqueológicos em três continentes, Perlman procede a uma revisitação crítica da história da Humanidade, desde as origens sumérias da civilização ocidental até aos nossos dias, pondo em causa os fundamentos canónicos baseados na narrativa estatal. O Leviatã representa o Estado no seu sentido mais profundo e amplo, não só a instituição administrativa de uma sociedade, mas também a construção da própria sociedade, a sua maquinaria, a sua espiritualidade morta, o seu militarismo, as suas relações alienadas e patriarcais, o seu desprezo pela natureza e as suas tecnologias de poder.

Fredy Perlman (1934-1985) nasceu na Checoslováquia, de onde fugiu ao nazismo com os pais, para os Estados Unidos. Professor de Sociologia e Antropologia durante algum tempo, foi dissidente da Universidade e activista durante toda a sua vida adulta, tendo participado no Maio de 68 em França e nas sublevações contemporâneas ocorridas nos EUA. Tipógrafo e impressor de todos os seus livros, criou uma cooperativa gráfica que se tornou um exemplo de autonomia solidária. É autor de um grande número de ensaios e de uma obra ficcional muito original, que a sua morte prematura interrompeu em plena criação.