sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Free classes / Aulas gratuitas


* Free classes to learn portuguese
(Aulas gratuitas para aprender português)


* 5th of March from 10 to 12 am
(5 de Março das 10 às 12h)

at Centro de Cultura Libertária
Rua Cândido dos Reis, 121, 1º Dto - Cacilhas - Almada


terça-feira, 23 de fevereiro de 2016

Jantar + Re-lançamento e discussão do texto "A céu aberto: notas sobre a repressão e afins"

Sábado, 27 de Fevereiro

"A céu aberto: notas sobre a repressão e afins", publicado em Itália em 2004, foi editado em português em 2010 num contexto em que, apesar dos projectos e actividades que na altura existiam, havia quem sentisse a necessidade de ir mais longe. Alguns indivíduos re-lançamo-lo e propomos agora a sua discussão partindo do contexto actual.

20h - jantar vegetariano // 21h - re-lançamento e discussão

no Centro de Cultura Libertária - Rua Cândido dos Reis, 121, Cacilhas (Almada)

» pdf da compilação onde está o texto: http://www.pt.indymedia.org/sites/pt.indymedia.org/files/documentos/newswire/a_ceu_aberto.pdf

Prefácio da edição portuguesa: 

« Publicamos os textos seguintes como contributo para uma discussão rica em vontade mas, muitas vezes, pobre em desenvolvimento: a discussão sobre o aventurar no terreno do conflito social, levando connosco as nossas maneiras próprias de vermos, fazermos e sentirmos as coisas.
Nesse terreno incerto, podemos experimentar o alastrar de relações de cumplicidade e a necessidade de acção directa, transportando também as prisões e a repressão para fora do seu isolamento, retomando-as noutros contextos; isto porque a prisão é, de facto, uma provável consequência de toda a luta autónoma que saiba encontrar os seus próprios tempos e métodos. E é simplesmente cada vez mais a consequência de um sistema social que treme perante os olhares até dos mais distraídos, e que dispara paranoicamente em todas as direcções, numa nervosa tentativa de manter um controlo e uma paz sociais que ameaçam escapar-se-lhe.
Talvez ao compreender e escapar da lógica reactiva da repressão, do reflexo condicionado que nos limita, ou do medo que nos paralisa e, com base numa projectualidade própria, ultrapassarmos a separação, o isolamento e as ligações que nos são impostas pelo poder, talvez assim seja possível sair do pântano em que nos encontramos.»

Introdução original do texto "A céu aberto": 

« As notas que se seguem derivam de uma necessidade: a de reflectirmos em conjunto sobre a situação actual, com o objectivo de encontrar o fio condutor de uma possível perspectiva. Elas são fruto de várias discussões nas quais o balanço crítico da experiência passada, a insatisfação com comportamentos de luta actualmente em curso e a esperança de potencialidades existentes se fundiram. Não são a linha de um grupo em competição com outro. Nem têm qualquer pretensão ou ilusão de preencher os vazios – de vida e paixão projectual – com um acordo mais ou menos formal sobre umas quantas teses. Se estas notas contêm críticas desagradáveis, não é com o objectivo de
as lançar como um fim em si mesmas, mas antes porque penso que continua a ser necessário dizerem-se coisas desagradáveis. Como todas as palavras neste mundo, encontrarão eco apenas naqueles que sentem uma necessidade semelhante. Em resumo, uma pequena base para discussão de forma a alcançarmos uma compreensão daquilo que podemos fazer, e com quem. »


quinta-feira, 18 de fevereiro de 2016

Este sábado estamos na rua

Jantar às 20h e projeção na rua do documentário GasLand de Josh Fox (2010, 107 min.) às 22h.
(Documentário sobre as consequências para o ambiente e para a saúde humana da exploração de gás de xisto nos EUA.)

Vai haver uma banca contra a exploração de gás e de petróleo com cartazes e flyers para distribuir, e a tua presença é importante.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Free classes / Aulas gratuitas

* Free classes to learn portuguese
(Aulas gratuitas para aprender português)

* 13th and 20th of February from 10 to 12 am
(13 e 20 de Fevereiro das 10 às 12h)

at Centro de Cultura Libertária
Rua Cândido dos Reis, 121, 1º Dto - Cacilhas - Almada


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Aniversário do regicídio

Hoje, 1 de Fevereiro, o CCL vai festejar com bar e música o aniversário do regicídio.
Aberto a partir das 21h.

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Círculo de Leituras Anárquicas + Jantar

« "Um circundo para vivermos dentro", eis como um miúdo definiu o ambiente num tema proposto a várias escolas primárias [...] »

18h45 - O clube aberto de leitura e discussão vai ler e discutir os textos "Da recuperação da miséria e da miséria da recuperação" e "Um circundo para vivermos dentro - Notas sobre a sociedade industrial e a sua ecologia", assim como implicações do que neles se diz para uma prática de luta.

O primeiro é uma avalanche crítica sobre as facetas unicamente construtivas do "movimento revolucionário", o segundo um desenrolar em torno de como agirmos sobre coisas específicas relacionando com o que as envolve. «Nas notas que se seguem tentarei trazer ao de cima algumas relações entre a progressiva perda de autonomia individual e social, a devastação ambiental e o aguçar da repressão. Não de forma a atualizar o interminável catálogo dos horrores e lamentações, mas para refletir sobre algumas possibilidades.», diz-nos o autor desse texto.


Link para os textos:
https://www.dropbox.com/s/umuij2a3k7blvpt/circundo.pdf?dl=0

20h30 - Jantar e bar.


sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Petiscos e festa anti-eleitoral

Na noite pré-eleitoral comemos e bebemos de janela aberta e com o som bem alto. Fazemos da nossa festa um motivo de irritação para candidatos e eleitores - sempre nos atraiu a imagem da pedra no sapato.
Rejeitamos toda a política e todos os políticos, sejam eles de que cor, quadrante ou dimensão forem, e se isto nos parece uma banalidade de base também é verdade que nunca é demais recordá-la.



Sábado, 23 de Janeiro, a partir das 19h30. 
No sítio do costume.

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

Sábado, 9 de Janeiro

18h - Passagem do documentário "As novas barragens", sobre o Plano Nacional de Barragens em Portugal
         Distribuição do texto "Um contexto onde vivermos - Notas sobre a sociedade industrial e a sua ecologia", para discussão futura

20h - Jantar

21h30 - Bar e música


segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Free classes / Aulas gratuitas


* Free classes to learn portuguese
(Aulas gratuitas para aprender português)

* 9th and 23th of January from 10 am to 12 pm
(9 e 23 de Janeiro das 10 às 12h)

at Centro de Cultura Libertária
Rua Cândido dos Reis, 121, 1º Dto - Cacilhas - Almada

Sábado, dia 9, há janbar.

O jantar é às 20h, o bar abre às 21h30. A banda sonora será electro, disco, 80's e outras coisas boas que trouxeres!


sábado, 28 de novembro de 2015

Fechar a SOVENA


A SOVENA tem a sua fábrica na frente ribeirinha do Monte da Caparica, na zona da Banática / Palença, contaminando o ar com gases de enxofre e ocupando, juntamente com outras fábricas, uma zona de montes e vales que outrora foram belos. Produz óleos alimentares, é dona da marca Oliveira da Serra (que tem o maravilhoso projecto de construir a maior monocultura de oliveiras do mundo) e de uma série de outras marcas conhecidas pela incorporação de transgénicos nos seus óleos - http://stopogm.net/conteudo/lista-negra

Conversa, hoje às 15h no CCL


sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Convívio

Hoje o bar do CCL volta a abrir -  com mais castanhas, jeropiga e Nina Simone.

A partir das 21h15.


quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Free classes / Aulas gratuitas

* Free classes to learn portuguese
(Aulas gratuitas para aprender português)

* 2nd and 4th Saturdays of each month from 10 am to 12 pm or for any other schedules write to us at ateneu2000@gmail.com
(2º e 4º sábados de cada mês das 10 às 12h ou noutros horários a combinar: ateneu2000@gmail.com)

* at Centro de Cultura Libertária
Rua Cândido dos Reis, 121, 1º Dto - Cacilhas - Almada

Feliz sexta-feira 13!


quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Biblioteca aberta!

Amigas e amigos, a biblioteca do CCL vai passar a estar aberta aos 2ºs e 4ºs domingos de cada mês, das 17h às 19h.
Podem consultar e requisitar livros, revistas e outras publicações - sobre temas sociais em geral e ideias anarquistas em particular - ou simplesmente disfrutar da luz do nosso lustre.



terça-feira, 3 de novembro de 2015

Jantar de apoio à Casa Okupada de Setúbal Autogestionada

Após 15 anos de ocupação, a C.O.S.A. encontra-se em risco, com uma ordem de despejo e menos de 30 dias para a contestar.
A C.O.S.A. tem sido, ao longo dos anos, local de encontros entre amigos e companheiros e parte importante de uma dinâmica anti-autoritária. Com ou sem plantas à porta, esta casa sempre foi uma flor do nosso jardim e uma erva daninha no parque do Estado.
E neste momento precisa de cada um de nós para continuar a existir.

Sábado, 7 de Novembro, às 20h no CCL

blog da cosa - https://cosa2015blog.wordpress.com/

quinta-feira, 6 de agosto de 2015

Caros sócixs e amigxs do CCL,


durante esta temporada veraniana, o Centro de Cultura Libertária estará de molho.

Após, retomaremos as nossas atividades!

CCL

terça-feira, 26 de maio de 2015

Sábado, 30 de maio, Debate: Acabar com o mau cheiro em Almada + Jantar vegetariano

Libertação de substâncias poluentes para a atmosfera - produção industrial de biodiesel - cultivo intensivo de gramíneas e exploração da terra - destruição da frente ribeirinha do monte da caparica - cooperação com instituições de investigação em biotecnologia (IBET e AESBUC/ESB) - criação de alternativas energéticas para a continuação do capitalismo


tudo isto é SOVENA



terça-feira, 28 de abril de 2015

Sábado, 2 de maio: If a Tree Falls-A STORY OF THE EARTH LIBERATION FRONT + Jantar vegetariano

18h00 - IF A TREE FALLS: A STORY OF THE EARTH LIBERATION FRONT/ Se uma árvore cai: Uma estória da Frente de Libertação da Terra de Marshall Curry
legendas em português



Em Dezembro de 2005, Daniel McGowan foi preso por agentes federais numa acção que limpou ambientalistas radicais envolvidos na Earth Liberation Front – um grupo que o FBI apelidou de “ ameaça número um de terrorismo doméstico” na América. Durante anos, a ELF – operando através de células anónimas sem uma liderança centralizada – faz deflagrar incêndios de grandes dimensões em várias empresas que acusaram de destruírem o ambiente: companhias de madeira, negócios de carros de transporte superior, matadouros de cavalos selvagens e uma estrutura de ski no valor de 12 milhões na montanha Vail no Colorado.  


IF A TREE FALLS: A STORY OF THE EARTH LIBERATION FRONT conta a estória da ascensão e queda desta célula da ELF, focando-se na transformação e radicalização de um dos seus membros. E nesse processo, questiona as lutas pelo ambiente, activismo e as formas como definimos a ideia de terrorismo.


20h00 - Jantar vegetariano

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Círculo de Leituras Anárquicas


Sábado, 25 d`Abril

17h30
* Círculo de Leituras Anárquicas


Discussão do texto "A reprodução do quotidiano" de Fredy Perlman

http://discordia.no.sapo.pt/ardq_texto.html

«A actividade diária do homem tribal reproduz ou perpetua a tribo.
A actividade diária dos escravos reproduz a escravatura.
A actividade diária do trabalhador assalariado reproduz trabalho assalariado e capital.»

20h00
* Jantar vegetariano

terça-feira, 17 de março de 2015

21 de Março | Zonas a defender | Documentários e conversa + jantar


Ciclo de documentários/conversas sobre lutas contra a destruição de espaços naturais


18h – Notre-Dame-des-Luttes (2012; 52 min.)
documentário de Jean-François Castell sobre a ZAD de Notre-Dames-des-Landes
[legendas em inglês]

19h – Fighting for the forest
(2014; 15 min.)
reportagem sobre a ZAD de Sivens em Setembro de 2014
[em inglês]

Seguido de conversa


20h – Jantar vegetariano

 
O termo “zona a defender” (ZAD) popularizou-se nos últimos anos para designar a experiência de ocupação de zonas florestais ameaçadas, em resistência contra projectos de desenvolvimento capitalista em França. Esta forma de luta encontra paralelo em outras lutas contra a destruição da natureza para além das fronteiras francesas, como a resistência contra a construção da linha de comboio de alta velocidade em Itália ou contra a exploração de gás de xisto em várias partes do mundo.
O documentário “Notre-Dame-des-Luttes” dá-nos a conhecer as motivações dos resistentes à construção do aeroporto de Notre-Dame-des-Landes, num momento em que, após uma operação policial repressiva em Outubro de 2012, esta luta ganha um novo ímpeto.
A reportagem “Fighting for the forest” apresenta-nos uma visão jornalística e sensacionalista das diversas formas de resistência em prática na ZAD de Sivens, onde os ocupantes resistem à construção de uma barragem que destruirá uma vasta zona florestal. Quando o abate de árvores começa, os confrontos com a polícia intensificam-se, numa escalada repressiva que levará ao assassinato do manifestante Rémi Fraisse pela polícia em Outubro de 2014.
 

sábado, 7 de março de 2015

Comunicado sobre a violência policial




 No dia 19 de Fevereiro, morreu em Setúbal um jovem vítima de uma bastonada da polícia.
Este é mais um caso recente de violência policial, tal como o que aconteceu na Cova da Moura no dia 5 de Fevereiro, quando após a agressão de vários residentes do bairro, aqueles que foram à esquadra pedir explicações ainda foram detidos, insultados e espancados.

Não deixamos passar estes casos e não esquecemos nem perdoamos TODAS as mortes e agressões às mãos da polícia. A repressão policial é algo que marca o quotidiano desta sociedade, desde as operações de fiscalização nos transportes públicos à perseguição aos imigrantes, às rusgas e despejos nos bairros, à perseguição a grupos e indivíduos contestatários. A presença policial em manifestações é já uma violência.

A polícia é um instrumento para manter a desigualdade social e a sua acção tenderá a ser sempre mais forte contra os mais desprotegidos, mas a existência da polícia, como a vemos enquanto anarquistas, é um mal social que afecta todos os grupos e pessoas, independentemente do seu género, raça, idade. É por este motivo que recusamos a existência da polícia.

 A violência policial é legitimada se não contestarmos a sua autoridade. Não podemos deixar em paz as esquadras, os bairros e as ruas onde esta violência se manifesta e os responsáveis pela mesma.

                                              

Centro de Cultura Libertária

                                                                                  Março 2015

terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Sábado 31 de Janeiro | Círculo de Leituras Anárquicas: “O princípio do Estado” de Mikhail Bakunine


18h - Círculo de Leituras Anárquicas: “O princípio do Estado” de Mikhail Bakunine

20h - Jantar vegetariano


Uma vez por mês, juntamo-nos em torno de textos que nos despertaram o interesse, partilhamos leituras e debatemos ideias. Os círculos de leituras anárquicas não são apresentações de livros, são um espaço de partilha e debate em que todos podem participar, mesmo que ainda não tenham lido o texto.

Texto disponível aqui: http://document.li/sTr0

«No fundo, a conquista não é só origem – é também o fim supremo de todos os Estados: grandes ou pequenos, poderosos ou débeis, déspotas ou liberais, monárquicos ou aristocráticos, democráticos – e até socialistas (supondo-se que o ideal dos socialistas alemães, o ideal de um grande Estado comunista, alguma vez se realize). Que a conquista foi um ponto de partida de todos os Estados, antigos ou modernos, não poderá ser posto em dúvida por ninguém, visto cada página da história universal o provar suficientemente. Ninguém negará tão-pouco que os grandes Estados actuais têm por objecto, mais ou menos confessado, a conquista. Mas - dir-se-á – os Estados médios e, sobretudo, os pequenos só pensam em defender-se; seria mesmo ridículo que sonhassem com conquistas.
«Por mais ridículo que pareça, é esse, todavia, o seu sonho – tal como o sonho do mais pequeno camponês proprietário reside em aumentar as suas terras em prejuízo do vizinho. Aumentar, crescer, conquistar – a todo o preço de sempre – é uma tendência fatalmente inerente a todo e qualquer Estado, qualquer que seja a sua extensão, a sua fraqueza ou a sua força: porque é uma necessidade da sua natureza. Pois que é o Estado senão a organização do Poder? Na Natureza de todo o poder está a impossibilidade de suportar um superior ou um igual, pois o Poder não tem outro objecto que não seja a dominação – e a dominação só é real quando se lhe encontra submetido tudo quanto é obstáculo. Nenhum poder tolera outro: só o faz quando a isso é obrigado, isto é, quando se sente impotente para o destruir ou derrubar. A própria noção de um poder é igual a uma negação do seu princípio e uma perpétua ameaça contra a sua existência: porque é uma manifestação e uma prova da sua impotência. Por consequência, entre todos os Estados que existem uns junto aos outros a guerra é permanente – e a sua paz não é mais do que uma trégua.
«Está na natureza do Estado apresentar-se, tanto em relação a si mesmo como perante os seus súbditos, como o objecto absoluto. Servir a prosperidade do Estado, a sua grandeza, o seu poder – eis a virtude suprema do patriotismo. O Estado não reconhece outra; tudo o que o sirva é bom, tudo o que seja contrário aos seus interesses é declarado criminoso. Tal é a moral dos Estados.
É por isso que a moral política foi sempre não só estranha como absolutamente contrária à moral humana. Essa contradição é uma consequência inevitável do seu princípio: não sendo o Estado mais do que uma parte, apresenta-se, porém, e impõe-se como o todo. Ignora o direito de tudo aquilo que, não sendo ele próprio, se encontra fora de si mesmo – e, quando pode, sem perigo, viola tal direito. O Estado é a negação da humanidade.»
(…)
«Deus, o nada-absoluto, foi proclamado o único ser vivo, poderoso e real, e o mundo vivente e, por consequência necessária, a Natureza, todas as coisas efectivamente reais e viventes, ao serem comparadas com esse deus, foram declaradas nulas. É próprio da teologia fazer do nada o real e do real o nada.
«Procedendo sempre com a mesma ingenuidade e sem ter a menor consciência do que fazia, o homem utilizou um meio simultaneamente muito engenhoso e muito natural para preencher o vazio espantoso da sua divindade: atribuiu-lhe simplesmente, exagerando-as sempre até proporções monstruosas, todas as acções, todas as forças, todas as qualidades e propriedades, boas ou más, benéficas ou maléficas, que encontrou, tanto na Natureza como na sociedade. Foi assim que a Terra, entregue ao saque, se empobreceu em proveito do Céu, que se enriqueceu com os seus despojos. Resultou disto que quanto mais se enriqueceu o Céu – a habitação da divindade – mais miserável se tornou a Terra; e bastava que uma coisa fosse adorada no Céu para que precisamente o contrário de essa coisa se encontrasse realizada neste baixo mundo. É aquilo a que se chama as ficções religiosas; a cada uma dessas ficções corresponde, como se sabe perfeitamente, alguma monstruosa realidade. Assim, o amor celeste nunca teve outro efeito senão o ódio terrestre, a bondade divina não produziu senão o mal, e a liberdade de Deus significa a escravidão sobre a terra. Logo veremos que o mesmo acontece com todas as ficções políticas e jurídicas, pois umas e outras são, além do mais, consequências ou transformações da ficção religiosa.»

Mikhail Bakunine, «O princípio do Estado»