terça-feira, 25 de abril de 2017
29 de Abril: Jantar + Filme "A Noite dos Lápis"
29 de Abril
A NOITE DOS LÁPIS
de Héctor Olivera (1986, 106 min., legendas em português)
19.30 | Jantar vegetariano
20.30 | Projecção do filme
Em Setembro de 1976, durante os primeiros meses da ditadura militar argentina, vários estudantes do ensino secundário da cidade de La Plata são sequestrados, torturados e assassinados devido aos seus protestos pela redução do preço dos transportes.
domingo, 23 de abril de 2017
Senhores propagandistas da banha de cobra...
SENHORES PROPAGANDISTAS DA BANHA DE COBRA...
ATENÇÃO! OS INTERESSES DO CENTRO DE CULTURA LIBERTÁRIA FORAM LESADOS.
Estimado Companheiro,
Carlos Júlio.
Publicou o Portal Anarquista há bem poucos dias no Facebook uma peculiar nota de reconhecimento tilintante rasgando elogios ao senhor João Freire, dando conta do porte de grande anarquista que em todo o caso, tal senhor nunca foi merecedor em nenhum momento.
Primeiro, vamos directamente ao assunto que hoje nos interessa: o Centro de Cultura Libertária, doravante CCL, foi no processo de constituição do Arquivo Histórico-Social muito prejudicado. É afirmado pelo próprio João Freire nas suas memórias «Pessoa comum no seu tempo», p. 471, que o Centro de Estudos Libertários acolheu a «doação de espólios documentais por parte de antigos militantes libertários ou seus descendentes». Daí nunca referir claramente nem sequer de modo discreto a sua iniciativa para obter os documentos existentes no fundo documental do CCL. Ora, quanto a este assunto reina o silêncio absoluto, mais parece ter o homem recalcado a tendência do seu comportamento para vasculhar arquivos.
Os fundamentos da minha denúncia prendem-se com os actos delituosos praticados por João Freire. Sublinhe-se que na altura os mentores do Centro de Estudos Libertários chegaram a elaborar no CCL um rastreio onde constavam 270 obras literárias, presume-se em conluio com os técnicos do designado Arquivo Histórico-Social e/ou a mando deste famoso académico «anarquista».
Na verdade, foi na Assembleia Geral de sócios do CCL, realizada a cinco de Janeiro de 1985, consultar a Acta número 9, folhas 29/30, que a questão do Arquivo Histórico-Social foi introduzida ad hoc na ordem de trabalhos desta reunião e, pela primeira vez, levantada através do senhor Carlos Reis, «devido ao facto do companheiro João Freire, mais dentro do assunto, ainda não ter chegado.» Finalmente, para se perceber hoje a habilidade implicada nos procedimentos do académico «anarquista» João Freire, mandante do senhor Carlos Reis, passo a transcrever parte da Acta número 9: «Finalmente no ponto seis, não tendo comparecido o companheiro João Freire, prestou-se o companheiro Carlos Reis a informar a assembleia da situação do Arquivo Histórico-Social e de uma proposta para cedência mútua de (ob) digo, exemplares de livros e periódicos constantes das duas bibliotecas, proposta que foi aceite unanimemente.»
O senhor João Freire, alegando o seu interesse ao estudo, na altura apoderou-se de documentos pertencentes ao espólio histórico do CCL, Associação Libertária com sede em Almada. De facto, em nenhuma circunstância conforme é possível analisar nos papeis oficiais do CCL, se perspectivou ou foi deliberado doar os referidos livros e outros documentos quer ao senhor João Freire quer a alguma outra entidade com carácter público ou privado.
Segundo, é com o propósito de contribuir para o cabal esclarecimento desta situação ocorrida no CCL, Associação que então se viu delapidada de alguma parte do seu património histórico (contextualizando o 3º ponto da Ordem de Trabalhos: Situação perante o Arquivo Histórico Social, posição definitiva do Centro), que aqui transcrevo parte do conteúdo da acta número 13 da Assembleia Geral Extraordinária, a folhas 39/42, da ordem sequencial do Livro de Actas, datada aos nove dias de Novembro de mil novecentos e oitenta e seis: «Através do João Freire foi-nos pedido um certo número de títulos da nossa biblioteca, para seguirem para a Biblioteca Nacional através do Centro de Estudos Libertários. Nessa altura acedi a tal transacção dos livros porque não vi grandes inconvenientes e porque confiava na pessoa de João Feire. Hoje a minha opinião é diferente. Se esses livros fazem parte do património do Centro e podendo a sua biblioteca ser dinamizada, entendo que é neste Centro que os livros devem permanecer. Se temos perspectivas de remodelar este Centro, não nos podemos permitir o luxo de o empobrecer. Somos talvez hoje o núcleo anarquista que mais publicações periódicas e não periódicas recebe, aumentando, assim, gradualmente o nosso espólio e podendo fazer deste Centro um Centro de Documentação e Arquivo, sem tutela do Estado, como acontece na Biblioteca Nacional. Não temos em nosso poder nenhum termo de responsabilidade passado pela Biblioteca Nacional em como, a qualquer momento, poderemos recuperar os livros. A palavra de João Freire não me chega, hoje. Pelo seu comportamento em relação à coordenadora libertária, por se ter demitido deste Centro sem qualquer explicação, pela sua falta de frontalidade (utilizando lateralmente influências, à boa maneira da cunha e coscuvilhice portuguesas, em lugar de se dirigir directamente ao Centro), João Freire não me merece a mínima consideração nem confiança, tanto como anarquista, como também como pessoa.»
No essencial, julgo não proceder como se nada na recente história do anarquismo em português se tivesse passado. Realmente, no CCL facilitámos em demasia as vivências dos acontecimentos, por isso, parece que somos considerados ingénuos politicamente. Mas não declinámos perante os objectivos programáticos da Associação e, porventura, isso leva-me também hoje a interrogar se não será justo reivindicar a devolução dos referidos documentos históricos subtraídos à biblioteca e ao fundo documental da Associação. Não quero deixar de realçar uma breve referência a Carlos Reis expressa na Acta número 14, com a data de vinte e quatro de Janeiro de mil novecentos e oitenta e sete, a folha 42, reportando que o único voto a favor da transferência dos livros deste Centro para a Biblioteca Nacional, foi o dele.
Finalmente, é certo que confirmada a natureza dos factos acima aludidos estes configurarão um abuso de confiança bem como de apropriação indevida de bens, e também uma total quebra de lealdade por parte deste antigo sócio do CCL, que actuou em circunstâncias e contornos muito pouco esclarecedores face ao funcionamento desta Associação.
Quanto ao amadurecimento do anarquismo em português, foi com este tipo de colaborações que o «nosso» académico pretendeu com o seu projecto pseudo libertário atingir o compromisso reformista iniciado em torno da publicação A Ideia a partir de 1974.
Em sequência, exulto na qualidade de associado e membro dos órgãos sociais do CCL, prometendo respeitar todas as decisões da Assembleia Geral que será convocada para o efeito, com a minha exclusiva responsabilidade neste processo de reparação moral, procurando determinar e envolver todos os associados que queiram de agrado contribuir, dignamente, para o devido esclarecimento do processo, tendo em vista a reposição dos livros e outros documentos no arquivo que, antes demais, pertencem a esta Associação Libertária.
Com as saudações libertárias,
Carlos Gordilho
Quinta da Alegria, Almada, 2017
sexta-feira, 21 de abril de 2017
Aulas de alemão no CCL! German language lessons at CCL!
A partir de 23 de Abril, vai haver aulas grátis de alemão no CCL, todos os domingos das 17.30 às 19.30.
Enviar um e-mail antes para ateneu2000@gmail.com
* * *
There will be free classes to learn German at CCL. Starting at the 23rd of april, every sunday 5:30-7:30pm.
Please write an email in advance to ateneu2000@gmail.com
Bis bald!
Enviar um e-mail antes para ateneu2000@gmail.com
* * *
There will be free classes to learn German at CCL. Starting at the 23rd of april, every sunday 5:30-7:30pm.
Please write an email in advance to ateneu2000@gmail.com
Bis bald!
terça-feira, 18 de abril de 2017
22 de Abril: Apresentação da publicação “EL DUENDE ANARQUISTA” + jantar
22 de Abril
Apresentação da publicação
“EL DUENDE ANARQUISTA”
17.30 | Documentário “No hubo tiempo para la tristeza”
18.30 | Apresentação
20:00 | Jantar vegetariano
“El duende anarquista” é uma publicação, editada em castelhano, português e inglês, sobre o movimento estudantil dos anos 80 em Medellín, Colômbia, e sobre a história de história de Juan Pineda Gallego, um anarquista activo no movimento estudantil assassinado em 1991.
domingo, 16 de abril de 2017
CCL na Feira do Livro e das Edições de Autor
O Centro de Cultura Libertária vai estar presente com uma banca na Feira do Livro e das Edições de Autor na Escola António Arroio em Lisboa.
A não perder nos dias 20 e 21 de Abril!
quarta-feira, 12 de abril de 2017
Actividades no CCL em Abril de 2017
15 de Abril
NEM DEUS NEM MESTRE
Uma História do Anarquismo
de Tancrèdre Ramonet
2ª parte - La Mémoire des Vaincus (1911-1945)
(90 min., 2016, legendas em francês)
20.00 | Jantar vegetariano
21.00 | Projecção do filme
É um filme francês que acaba de aparecer no circuito de distribuição cinematográfica. Realizado em 2 partes de 90 minutos, constitui uma síntese da história do anarquismo social dos últimos 150 anos. A qualidade e a diversidade das imagens inéditas obtidas a partir de arquivos, documentos esquecidos e as entrevistas exclusivas com estudiosos do movimento operário, conferem a este panorama a convicção que não podem destruir as nossa ideias.
22 de Abril
Apresentação da publicação
“EL DUENDE ANARQUISTA”
17.30 | Documentário “No hubo tiempo para la tristeza”
18.30 | Apresentação
20:00 | Jantar vegetariano
“El duende anarquista” é uma publicação, editada em castelhano, português e inglês, sobre o movimento estudantil dos anos 80 em Medellín, Colômbia, e sobre a história de história de Juan Pineda Gallego, um anarquista activo no movimento estudantil assassinado em 1991.
29 de Abril
A NOITE DOS LÁPIS
de Héctor Olivera (1986, 106 min., legendas em português)
19.30 | Jantar vegetariano
20.30 | Projecção do filme
Em setembro de 1976, durante os primeiros meses da ditadura militar argentina, vários estudantes do ensino secundário da cidade de La Plata são sequestrados, torturados e assassinados devido aos seus protestos pela redução do preço dos transportes.
Em Abril, o CCL está também aberto às sextas-feiras das 19.00 às 21.00
segunda-feira, 10 de abril de 2017
15 de Abril: "NEM DEUS NEM MESTRE" (2ª parte) + jantar
15 de Abril
NEM DEUS NEM MESTRE
Uma História do Anarquismo
de Tancrèdre Ramonet
2ª parte - La Mémoire des vaincus (1911-1945)
(90 min., 2016, legendas em francês)
20.00 | Jantar vegetariano
21.00 | Projecção do filme
É um filme francês que acaba de aparecer no circuito de distribuição cinematográfica. Realizado em 2 partes de 90 minutos, constitui uma síntese da história do anarquismo social dos últimos 150 anos. A qualidade e a diversidade das imagens inéditas obtidas a partir de arquivos, documentos esquecidos e as entrevistas exclusivas com estudiosos do movimento operário, conferem a este panorama a convicção que não podem destruir as nossa ideias.
quarta-feira, 5 de abril de 2017
Novo horário em Abril: sextas das 19.00 às 21.00
Em Abril, o Centro de Cultura Libertária estará aberto às sextas-feiras das 19.00 às 21.00.
Também haverá actividades noutros dias a anunciar.
É possível consultar a biblioteca e a livraria, e o bar está aberto para tomar um café ou uma cervejinha.
quarta-feira, 29 de março de 2017
VESTÍGIOS DA VIDA DO “OUTRO” ANARQUISMO EM ALMADA
[Filmagem do comício libertário realizado na Incrível Almadense em 20 de Junho de 1974: https://arquivos.rtp.pt/conteudos/movimento-libertario-portugues/]
Como sabemos, com a queda da ditadura nacional implantada a 28 de Maio de 1926, ou seja, no contexto subsequente ao golpe militar de 25 de Abril de 1974, o carácter da acção levada a efeito nessa conjuntura política pelo grupo libertário de Almada é difícil de enquadrar e de sintetizar numa fórmula simples. A estratégia de intervenção desta associação libertária, formada na deliberação da Assembleia de 13 de Maio de 1974 por dez elementos da velha guarda anarquista de base operária e um jovem antimilitarista refractário do Serviço Militar Obrigatório (S.M.O.), conheceu momentos de euforia que projectaram o anarquismo para lá do espaço que logicamente seria do domínio circunscrito à actividade local do Grupo de Cultura e Acção Libertária. Durante este período, enquanto respondiam à especificidade do que ousam chamar de «revolução do 25 de Abril», este núcleo de companheiros mais velhos constituía a delegação do Movimento Libertário Português que, sob um esquema organizativo, integra e estrutura a região do sul do país.
O filme documenta o primeiro comício organizado pelos resistentes libertários após o derrube do Estado Novo; é uma acção pública que produz o efeito daqueles momentos, que prosseguem sem sucumbir e são capazes de sobreviver ao seu desenlace histórico. Entre outros acontecimentos abundantemente evocados pela historiografia, por exemplo, o 1º de Maio de 1974 onde os anarcosindicalistas desfilaram ostentando com orgulho o antigo estandarte da Secção de Belém do Sindicato Único Metalúrgico associado à organização anarcosindicalista portuguesa, a Confederação Geral do Trabalho (C.G.T.), poderíamos debater e interpretar estas imagens ligadas ao relançamento do anarquismo no contexto sócio-cultural ameaçado pela velocidade da modernização da sociedade. Nesta fase de aguda crise social estas imagens encontram-se preservadas no arquivo da RTP; neste sentido elas estão disponíveis e não perdem a consistência da sua privilegiada relação ideológica ao serem visionadas nomeadamente por todos os interessados.
Trata-se da memória colectiva da história social do anarquismo em Portugal que resistiu durante décadas à calamidade do nacionalismo e do militarismo. Mas é também a prova da persistência revolucionária daqueles companheiros veteranos cheios de esperança num tempo melhor e mais propício à expansão do ideal. Estes activistas anarquistas pretendiam esboçar um movimento libertário unificado, não renunciando à luta pela reconstrução do movimento consciente da sua ideologia. Com o fim da ditadura fascista em 1974, não podíamos deixar de fazer uma breve referência ao empenho e determinação deste agrupamento autónomo que viveu essa época agitada do «PREC» refazendo o anarquismo e, de forma socialmente intensa, participava no evoluir das actividades anarquistas defrontando os sofismas sociais, políticos e ideológicos repercutidos por todos os partidos políticos. Eles, com o fôlego de velhos militantes cegestistas, ampliavam o futuro com uma nova expectativa expurgada de toda a nostalgia, viam na Revolução Social um processo libertador, e por isso distanciavam-se daquelas personagens que presas ao passado olham sobre o ombro para trás.
O Grupo de Cultura e Acção Libertária reuniu no dia 24 de Maio de 1974, pelas 21.30 horas, nas instalações provisórias da sua sede (lembro-me que funcionava numa pequena sala de um armazém de brinquedos), na rua Fernão Lopes, nº 12, r/c, em Almada, a fim de discutir a iniciativa de se realizar uma sessão de propaganda local. O projecto foi unanimemente aprovado pelo conjunto dos companheiros que logo constituíram uma comissão das actividades em curso da delegação do Movimento Libertário Português.
Deste modo, foi o referido evento agendado para dia 20 de Junho de 1974, às 21.30 horas nas instalações do salão de festas da Sociedade Filarmónica Incrível Almadense. Quando se pormenorizava os trabalhos preparatórios, no dia 2 de Junho de 1974, foi determinado convidar dois companheiros de Lisboa para intervirem no comício com as suas próprias comunicações e, considerando a falta de meios materiais, redigir um comunicado para ser impresso e fazer-se a sua distribuição pública na cidade de Almada. Com efeito, ainda foi decidido executar alguns cartazes em papel cenário exibindo algumas sentenças de teor educativo para serem posteriormente fixados nas galerias superiores do salão de festas da Incrível Almadense.
O objectivo desta sessão pública de esclarecimento era expor as propostas do programa anarquista para a questão social. Na mesa podemos ver, no sentido da esquerda para a direita, o médico Gladstone da Costa, um elemento exterior à funcionalidade orgânica do movimento, mas que na altura demonstrara ser um simpatizante e amigo dos anarquistas almadenses. Ao seu lado estava o valioso elemento anarquista Francisco Quintal (1898-1987), que nos anos 20 foi director do jornal O Anarquista, órgão da União Anarquista Portuguesa (U.A.P.) e delegado desta organização anarquista à Conferência de Valência, em Julho de 1927, da qual emergiu a Federação Anarquista Ibérica (F.A.I.). Após o 25 de Abril, teve um papel preponderante na fundação do Centro de Cultura Libertária (C.C.L.), sendo mais tarde o director do jornal Voz Anarquista publicado a partir de Janeiro de 1975 por este grupo anarquista de Almada. Seguindo a mesma ordem, pode ver-se o antigo funcionário dos Serviços Técnicos do Município de Almada, de seu nome Domingues. Foi sob o impulso escrupuloso da liberdade que durante esse período frequentemente prestou uma colaboração valiosa e, sem nunca associar-se ao alcance do nosso ideário, poderá dizer-se que nunca saiu diminuído do nosso ambiente. Por isso vale a pena lembrar que foi um amigo deste grupo libertário.
No centro dos palestrantes vemos o operário metalúrgico Sebastião de Almeida (1908-?), elemento libertário formado dentro da organização autónoma que reflectia o clima rebelde das Juventudes Sindicalistas, enquanto orador e coordenador dos trabalhos da mesa. Com o restabelecimento das liberdades democráticas, participou no encontro dos anarquistas no 1º de Maio de 1974, em Cacilhas, na cervejaria Canecão. Nesta caminhada para promover, organizar e afirmar o anarquismo num trabalho contínuo, sempre foi incansável, discreto e um esforçado militante que desempenhou com a sua presença um papel essencial, mantendo durante longo tempo o funcionamento administrativo do jornal mensal Voz Anarquista. Não é de estranhar que ao seu lado esteja o livreiro Manuel Achando, gestor da livraria Capas Negras, um estabelecimento situado numa das zonas mais vivas da cidade de Almada. Com efeito, foi neste período excepcional que o antigo professor de matemática da Escola Comercial e Industrial Emídio Navarro veio juntar-se aos libertários, disponibilizando as duas montras daquela livraria para se manter uma exposição permanente de propaganda e venda de obras anarquistas. Curiosamente, foi nesse meio de marcada influência cultural que o jovem Carlos Reis, mais tarde editor do boletim Satanás, despontou para o anarquismo.
Posicionado num dos extremos da mesa vemos o militante anarquista carpinteiro de profissão José Correia Pires (1907-1976). É uma figura de maior importância anarquista que, por imperativo ético, fazia propaganda combatendo o Totalitarismo moderno e, por extensão, o fascismo e o bolchevismo, na suas versões trotskista, estalinista e maoista, tendo fixado em Almada a sua residência, em 1945, após a sua libertação do Campo de Concentração do Tarrafal. Na nossa perspectiva, poder dizer-se que este homem bom agregou em si quer uma imensa simpatia humana quer a admiração de todos com quem ele conviveu. Enquanto opositor à ditadura nacional enformada pelo Estado Novo, viria a desenvolver uma intensa actividade associativa, sendo presidente, em 1955-56, da Sociedade Filarmónica Incrível Almadense testemunhando, desse modo, o pendor activista do anarquismo social. Na verdade, face aos condicionalismos impostos à livre reunião das pessoas e à liberdade de imprensa, e ao aniquilamento de qualquer actividade de forma a impedir a afirmação social e a objecção de consciência - a ditadura nacional desde o seu início tornou evidente que o seu objectivo era a ilegalização das estruturas do movimento libertário - o companheiro José Correia Pires assumiu com o seu testemunho directo um papel muito importante na vida pública da cidade de Almada, vindo a falecer a 28 de Outubro de 1976.
A finalizar debruçar-nos-emos sobre aquele que é a personagem emocionalmente mais conhecida do atentado à bomba, em 1937, o único atentado contra o ditador português Oliveira Salazar. O destacado militante anarcosindicalista Emídio Santana (1906-1988) encontra-se posicionado no extremo do conjunto dos oradores. Dentro do conceito sindicalista revolucionário e distinguindo-se pela sua posição de independência no campo das ideias, veio falar do processo de restabelecimento da «normalidade constitucional», atendendo a que era indispensável pensar a latitude revolucionária da central operária, a estrutura organizacional que deve conduzir à revolução social, cujo objectivo de emancipação social consigna que «a emancipação dos trabalhadores deve ser obra dos próprios trabalhadores».
No espaço do grande salão de festas da Sociedade Filarmónica Incrível Almadense, entre os rostos desconhecidos de muitas pessoas assistentes que denunciavam uma justificada curiosidade, passava a denúncia triunfante e o gozo do rancor político de substância predominantemente marxista de alguns dos jovens que estavam presentes. Entre os inúmeros rostos, não podemos deixar de referir a presença daqueles que na impetuosidade da época iam transmitindo apaixonadamente o conteúdo das nossas ideias, por isso destacamos nas primeiras filas da assistência colectiva participada, o companheiro Barreto Atalaião, a companheira Berta, o sapateiro Artur Modesto (1897-1985), o trabalhador rural José Paulo Lola (1901-?) e o comerciante de pescado José de Brito; mais atrás, também vemos o companheiro setubalense Jaime Rebelo (1900-1975). E nessa imensa malha humana de dezenas e dezenas de pessoas, além do autor destas linhas, sabemos que alguns mais anarquistas de Almada marcaram a sua presença, tais como os companheiros Jorge Quaresma (1905-1990), o operário corticeiro anarquista e esperantista José Eduardo (1909-?), Fernando Paiva Moura (1925-), contra-mestre de 1ª do Arsenal do Alfeite e fundador com o companheiro José Correia Pires da Cooperativa da Panificação Sulcoop, que hoje vive ainda em Almada, o carpinteiro de moldes Viriato Pereira (1927-?) e outros que pedimos desculpa por não mencionar por falta de espaço, atraindo a simpatia da população local e amizade ao Movimento Libertário Português.
Actualmente a nossa Associação funciona como um Ateneu Libertário - depois de derrubadas as ditaduras salazarista e franquista é o mais antigo da Península Ibérica -, começando no seu propósito por ser um lugar aberto ao encontro de grupos e convívio de outros indivíduos que livremente o compõem, com o fim de divulgar no plano social a hipótese anarquista. E, assim, faz muitos e muitos anos que dentro dos mesmos princípios abrangendo diversas gerações se editou o jornal Voz Anarquista, a revista Antítese, o Boletim de Informações Anarquistas e por fim a revista Húmus, procurando-se produzir um ambiente que reflicta um espírito não subserviente de forma a alargar as experiências e a mente humana. Mas é necessário dizer o que importa sem querermos ser sentimentais, pois a nossa associação flutua sobre as condições que derivam do apoio mútuo que lhe está na origem e a sua identidade está ligada indissoluvelmente aos anarquistas comummente designados por a velha guarda comunista libertária de Almada. É a esta consciência que hoje somos responsavelmente aderentes.
Carlos Gordilho,
Quinta da Alegria, Almada, 2017
quarta-feira, 22 de março de 2017
25 de Março: Apresentação e conversa com o Coletivo Estudantil Libertário de Lisboa
25 de Março
“DEFENDER O PÚBLICO, CONSTRUIR O COMUM”
Apresentação e conversa com o
Coletivo Estudantil Libertário de Lisboa
18.00 | Apresentação/Conversa
20.00 | Jantar vegetariano
“O Coletivo Estudantil Libertário de Lisboa é formado por estudantes de diversas escolas e faculdades, da área da Grande Lisboa, que visam não só contribuir para a construção de uma sociedade livre, igualitária, e horizontal, mas principalmente: analisar e subverter a opressão no espaço escolar, combatendo os ataques feitos dentro do mesmo pela classe dominante, e lutando progressivamente por uma educação que parta das vontades e desejos do estudante e não de quem precisa de mais engrenagens para manter em funcionamento um sistema económico e político falido.”
terça-feira, 14 de março de 2017
18 de Março: "NEM DEUS NEM MESTRE: Uma História do Anarquismo" + jantar
18 de Março
NEM DEUS NEM MESTRE
Uma História do Anarquismo
de Tancrèdre Ramonet
1º parte - La Volupté de la Destruction (1840-1914)
(90 min., 2016, legendas em francês)
19.00 | Projecção do filme
21.00 | Jantar vegetariano
É um filme francês que acaba de aparecer no circuito de distribuição cinematográfica. Realizado em 2 partes de 90 minutos, constitui uma síntese da história do anarquismo social dos últimos 150 anos. A qualidade e a diversidade das imagens inéditas obtidas a partir de arquivos, documentos esquecidos e as entrevistas exclusivas com estudiosos do movimento operário, conferem a este panorama a convicção que não podem destruir as nossa ideias.
quarta-feira, 8 de março de 2017
Actividades no CCL em Março!
11 de Março
DESAPARECIDOS
de Carla Novi (88 min., México/UK, 2015)
18.00 | Projecção do documentário
(com a presença da realizadora)
20.00 | Jantar mexicano
Depois do desaparecimento de 43 estudantes de Ayotzinapa em 26 de Setembro de 2014, os protestos rebentaram no México. Pessoas de diferentes origens, classes e idades saíram à rua para expressar a sua indignação; organizaram manifestações para exigir ao governo acções para encontrá-los. Em consequência, muitos dos envolvidos nas manifestações foram ameaçados, raptados como prisioneiros políticos, torturados e assassinados.
“Desaparecidos” segue as histórias de alguns mexicanos da geração actual que vivem com o risco de se tornarem desaparecidos devido à sua participação nos protestos.
18 de Março
NEM DEUS NEM MESTRE
Uma História do Anarquismo
de Tancrèdre Ramonet
1º parte - La Volupté de la Destruction (1840-1914)
(90 min., 2016, legendas em francês)
19.00 | Projecção do filme
21.00 | Jantar vegetariano
É um filme francês que acaba de aparecer no circuito de distribuição cinematográfica. Realizado em 2 partes de 90 minutos, constitui uma síntese da história do anarquismo social dos últimos 150 anos. A qualidade e a diversidade das imagens inéditas obtidas a partir de arquivos, documentos esquecidos e as entrevistas exclusivas com estudiosos do movimento operário, conferem a este panorama a convicção que não podem destruir as nossa ideias.
25 de Março
“DEFENDER O PÚBLICO, CONSTRUIR O COMUM”
Apresentação e conversa com o
Coletivo Estudantil Libertário de Lisboa
18.00 | Apresentação/Conversa
20.00 | Jantar vegetariano
“O Coletivo Estudantil Libertário de Lisboa é formado por estudantes de diversas escolas e faculdades, da área da Grande Lisboa, que visam não só contribuir para a construção de uma sociedade livre, igualitária, e horizontal, mas principalmente: analisar e subverter a opressão no espaço escolar, combatendo os ataques feitos dentro do mesmo pela classe dominante, e lutando progressivamente por uma educação que parta das vontades e desejos do estudante e não de quem precisa de mais engrenagens para manter em funcionamento um sistema económico e político falido.”
(com a presença da realizadora)
20.00 | Jantar mexicano
Depois do desaparecimento de 43 estudantes de Ayotzinapa em 26 de Setembro de 2014, os protestos rebentaram no México. Pessoas de diferentes origens, classes e idades saíram à rua para expressar a sua indignação; organizaram manifestações para exigir ao governo acções para encontrá-los. Em consequência, muitos dos envolvidos nas manifestações foram ameaçados, raptados como prisioneiros políticos, torturados e assassinados.
“Desaparecidos” segue as histórias de alguns mexicanos da geração actual que vivem com o risco de se tornarem desaparecidos devido à sua participação nos protestos.
18 de Março
NEM DEUS NEM MESTRE
Uma História do Anarquismo
de Tancrèdre Ramonet
1º parte - La Volupté de la Destruction (1840-1914)
(90 min., 2016, legendas em francês)
19.00 | Projecção do filme
21.00 | Jantar vegetariano
É um filme francês que acaba de aparecer no circuito de distribuição cinematográfica. Realizado em 2 partes de 90 minutos, constitui uma síntese da história do anarquismo social dos últimos 150 anos. A qualidade e a diversidade das imagens inéditas obtidas a partir de arquivos, documentos esquecidos e as entrevistas exclusivas com estudiosos do movimento operário, conferem a este panorama a convicção que não podem destruir as nossa ideias.
25 de Março
“DEFENDER O PÚBLICO, CONSTRUIR O COMUM”
Apresentação e conversa com o
Coletivo Estudantil Libertário de Lisboa
18.00 | Apresentação/Conversa
20.00 | Jantar vegetariano
“O Coletivo Estudantil Libertário de Lisboa é formado por estudantes de diversas escolas e faculdades, da área da Grande Lisboa, que visam não só contribuir para a construção de uma sociedade livre, igualitária, e horizontal, mas principalmente: analisar e subverter a opressão no espaço escolar, combatendo os ataques feitos dentro do mesmo pela classe dominante, e lutando progressivamente por uma educação que parta das vontades e desejos do estudante e não de quem precisa de mais engrenagens para manter em funcionamento um sistema económico e político falido.”
segunda-feira, 6 de março de 2017
11 de Março: Documentário "Desaparecidos" + jantar mexicano
11 de Março
DESAPARECIDOS
de Carla Novi
(88 min., México/UK, 2015)
18h – Projecção do documentário
(com a presença da realizadora)
20h – Jantar mexicano
Depois do desaparecimento de 43 estudantes de Ayotzinapa em 26 de Setembro de 2014, os protestos rebentaram no México. Pessoas de diferentes origens, classes e idades saíram à rua para expressar a sua indignação; organizaram manifestações para exigir ao governo acções para encontrá-los. Em consequência, muitos dos envolvidos nas manifestações foram ameaçados, raptados como prisioneiros políticos, torturados e assassinados.
“Desaparecidos” segue as histórias de alguns mexicanos da geração actual que vivem com o risco de se tornarem desaparecidos devido à sua participação nos protestos.
http://
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017
25 de Fevereiro: Jantar + Filme "O Limoeiro"
25 de Fevereiro
O LIMOEIRO
de Eran Riklis (Israel, 2008, 106 min., legendado em português)
19:00 | Jantar vegetariano
20:00 | Projecção do filme "O Limoeiro"
Salma, uma viúva palestina, vê a sua plantação de limoeiros [herdada do seu falecido pai] ser ameaçada quando o novo vizinho, o Ministro da Defesa de Israel, se muda para a casa ao lado. A Força de Segurança Israelita logo declara que os limoeiros de Salma colocam em risco a segurança do Ministro e, por isso, precisam de ser derrubados.
quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017
terça-feira, 14 de fevereiro de 2017
Retomam as aulas de português para estrangeiros no CCL / Portuguese classes for foreigners continue at CCL
Aulas de português para estrangeiros.
Enviar e-mail para o CCL para combinar.
Free Portuguese language classes for foreigners.
To arrange a schedule please send an email to CCL:
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017
11 de Fevereiro: MESOAMÉRICA RESISTE
11 de Fevereiro
MESOAMÉRICA RESISTE
18:00 | Apresentação
20:00 | Jantar vegetariano
Apresentação de um mapa ilustrado da América Central, resultante de 9 anos de trabalho do Beehive Design Collective, que denuncia a invasão moderna dos mega-projectos planeados para a região, revelando histórias de resistência e solidariedade das comunidades locais para defender os seus territórios e modos de vida.
http://
quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017
Actividades no CCL em Fevereiro
4 de Fevereiro
TERRAMOTOURISM
Um documentário do colectivo Left Hand Rotation
19:00 | Jantar vegetariano
20:00 | Projecção do documentário
(com a presença dos realizadores)
A 1 de novembro de 1755 um terramoto destruiu a cidade de Lisboa. Hoje, Lisboa é abalada por um sismo turístico que transforma a cidade a velocidade de cruzeiro. “Terramotourism” é um retrato subjetivo de uma cidade e da sua transformação ao longo dos últimos 6 anos.
11 de Fevereiro
MESOAMÉRICA RESISTE
18:00 | Apresentação
20:00 | Jantar vegetariano
Apresentação de um mapa ilustrado da América Central, resultante de 9 anos de trabalho do Beehive Design Collective, que denuncia a invasão moderna dos mega-projectos planeados para a região, revelando histórias de resistência e solidariedade das comunidades locais para defender os seus territórios e modos de vida.
18 de Fevereiro
WORKSHOP DE DEFESA PESSOAL
17:00 | Workshop
20:00 | Jantar vegetariano
25 de Fevereiro
O LIMOEIRO
de Eran Riklis (Israel, 2008, 106 min., legendado em português)
19:00 | Jantar vegetariano
20:00 | Projecção do filme "O Limoeiro"
Salma, uma viúva palestina, vê a sua plantação de limoeiros [herdada do seu falecido pai] ser ameaçada quando o novo vizinho, o Ministro da Defesa de Israel, se muda para a casa ao lado. A Força de Segurança Israelita logo declara que os limoeiros de Salma colocam em risco a segurança do Ministro e, por isso, precisam de ser derrubados.
Centro de Cultura Libertária
Rua Cândido dos Reis, 121, 1º Dto. - Cacilhas
culturalibertaria.blogspot.com
facebook.com/CentroDeCulturaLibertaria
segunda-feira, 30 de janeiro de 2017
4 de Fevereiro: Documentário TERRAMOTOURISM
19:00 - Jantar
20:00 – Projecção do documentário
(com a presença dos realizadores)
TERRAMOTOURISM
Um documentário do colectivo Left Hand Rotation
Música: Ricardo Jacinto
A 1 de novembro de 1755 um terramoto destruiu a cidade de Lisboa. O seu impacto foi tal que deslocou o homem do centro da criação. As suas ruínas legitimaram o despotismo esclarecido.
Lisboa hoje treme novamente, abalada por um sismo turístico que transforma a cidade a velocidade de cruzeiro. O seu impacto desloca o morador do centro da cidade. Que novos absolutismos encontrarão aqui o seu álibi?
Enquanto o direito à cidade derruba-se, afogado pelo discurso da identidade e do autêntico, a cidade range anunciando o seu colapso e a urgência de uma nova maneira de olhar-nós, de reagir a uma transformação, desta vez previsível, que o desespero do capitalismo finge inevitável.
Left Hand Rotation é um coletivo estabelecido em Lisboa desde 2011.
Terramotourism é um retrato subjetivo de uma cidade e a sua transformação ao longo dos últimos 6 anos.
_
"Eu sou um cidadão do mundo; não quero voltar ao nacionalismo, mas se amanhã amamos apenas o que está longe sem estarmos conscientes de que odiamos o próximo porque está presente, porque cheira mal, porque faz barulho, porque me incomoda e porque me faz exigências, diferente do que está longe, do qual me posso livrar; se amanhã insistirmos em preferir o que está longe em detrimento do que está perto, destruiremos a cidade, ou melhor, o direito à cidade."
Paul Virilio – O Cibermundo, a política do pior.
lefthandrotation.com
museodelosdesplazados.com
lefthandrotation.blogspot.pt/2
quinta-feira, 19 de janeiro de 2017
18 de Janeiro de 1934: greve geral insurreccional contra a ditadura nacional do Estado Novo
«O concelho de Almada tem então cerca de 23 000 habitantes e a vila pouco mais de 8000, sendo uma parte população flutuante, como nos dias de hoje. A população operária é mais heterogénea em termos sócio-profissionais do que a da Marinha Grande, centro essencialmente vidreiro, ou do que a de Silves, exclusivamente formada por corticeiros.
Em Almada a eclosão do movimento é marcada, na madrugada de 18, pelo corte da linha telefónica e pela sabotagem do cabo submarino entre a Trafaria e Porto Brandão, únicos actos violentos dignos de registo.
Com muitas ou poucas acções espectaculares — menos, em todo o caso, do que as verificadas na vizinha Lisboa, para já não falar da Marinha Grande ou de Coimbra —, os trabalhadores, esses, aderem à greve, ainda que surjam dois comportamentos diferentes.
Trabalhadores há que se apresentam ao serviço, iniciam normalmente a sua actividade às 8.30 e a instâncias de grupos de grevistas que percorrem os locais de trabalho apelando à greve acabam por abandoná-lo e recolher a suas casas. Estão neste caso os operários fabris de Cacilhas, os chauffeurs de táxis que fazem serviço no Largo Costa Pinto, os motoristas das empresas de camionagem que servem todo o concelho e ainda os operários dos estaleiros da Parry & Son.
Outros — o operariado da vila de Almada e o do restante concelho — nem sequer comparecem nos locais de trabalho. Estão neste caso os corticeiros da vila, designadamente os das fábricas Harry Bucknall & Sons, Rankin & Sons, Armstrong & Cork, bem como os que trabalham no Caramujo, Cova da Piedade, Ginjal, Margueira, Banática, Mutela e arredores, ou seja, todos os corticeiros do concelho. E também os operários das fábricas de moagem Aliança e dos Moinhos Reunidos, ambas situadas na Cova da Piedade, os operários dos estaleiros de barcos de madeira da Mutela, os operários de algumas fábricas de conservas, todos os operários da construção civil com obras na Mutela, Cova da Piedade, Porto Brandão, Trafaria, Caparica e Almada, com destaque para os 500 operários que nesta última localidade trabalham então na construção do Arsenal do Alfeite. E o mesmo se passa com os operários de serviços metalúrgicos do concelho e com os operários dos depósitos da Shell, situados na Banática, com os da fábrica de gelo da Companhia Portuguesa de Pesca, no Olho de Boi, e, enfim, com os estivadores e descarregadores de cais.
De uma maneira ou de outra, toda a população industrial do concelho adere à greve. E nem as forças da polícia locais, nem a chegada de 30 praças da GNR, nem a de 40 marinheiros e 2 sargentos da Armada, com os respectivos tenentes, nem as operações de policiamento e de demonstração de força que a sua permanência nas ruas representa — a que se juntará ainda no próprio dia 18 a suspensão do jornal local O Almadense —, levarão a maior parte dos grevistas a apresentarem-se ou a retomarem o trabalho. Apenas os motoristas de camionagem, após terem sido requisitados pelo administrador do concelho, rompem a greve ao fim do dia 18.
Mesmo a 19, se a maioria do operariado retoma o trabalho, alguns impenitentes se mantêm. Os operários corticeiros — com excepção dos da Margueira — e os operários das fábricas de moagem vão permanecer em greve, o que levará à prisão de 24 dos principais dirigentes sindicais do concelho de Almada, e só regressam ao trabalho a 20.»
Maria de Fátima Patriarca, “O «18 de Janeiro»: uma proposta de releitura”, Análise Social, vol. XXVII (123-124), 1993, pp. 1137-1152
quarta-feira, 30 de novembro de 2016
CANCELADO Sábado, 3 de Dezembro, no CCL
Olá,
esta actividade está cancelada por problemas com o projector. O filme O Limoeiro será projectado numa outra data a anunciar em breve.
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19h30 - Jantar vegetariano
20h30 - Projecção do filme "O Limoeiro" (legendas em português)
Salma, uma viúva Palestina, vê a sua plantação de limoeiros [herdada do seu falecido pai] ser ameaçada quando o novo vizinho, o Ministro da Defesa de Israel, se muda para a casa ao lado. A Força de Segurança Israelita logo declara que os limoeiros de Salma colocam em risco a segurança do Ministro e, por isso, precisam ser derrubados. Salma, após muitas recusas, leva o caso ao Supremo Tribunal de Israel para tentar salvar a plantação, e com isso assegurar e manter em paz a sua vida, a sua história, o seu passado e futuro.
segunda-feira, 14 de novembro de 2016
Liberdade para Maria de Lurdes: sessão de esclarecimento | 19 de Novembro
ENCONTROS DA RADICALIDADE IMPOSSÍVEL
LIBERDADE PARA A MARIA DE LURDES
A Maria de Lurdes Lopes Rodrigues é uma activista que integrou mas últimas décadas múltiplos movimentos sociais e uma investigadora a quem foi recusada, em 1996, uma bolsa de longa duração no estrangeiro concedida pelo Ministério da Cultura através do Gabinete de Relações Culturais Internacionais, então, com a Direcção de Patrícia de Salvação Barreto. Este autêntico processo kafkiano em que a rebelde artista Maria de Lurdes se envolveu, concordando com as palavras do seu amigo de longa data Mário Gomes, começou há 20 anos e depois de ter estudado no curso de escultura da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa. No seguimento da decisão administrativa que falseava as normas regulamentares para a atribuição da bolsa de estudos, Maria de Lurdes insistiu tenazmente na sua situação iniciando um escabroso caminho de processos em tribunais administrativos, tendo na altura sido condenada a três anos de prisão suspensa por: «difamação agravada, injúria agravada, denúncia caluniosa e ofensa a pessoa colectiva, organismo e serviço e perturbação de funcionamento de órgão constitucional». Quando ultimada pelo tribunal a receber tratamento psiquiátrico, comprovado não ter necessidade, recusou a tal ser submetida. A activista Maria de Lurdes foi detida no dia 29 de Setembro último, culminando a sentença em três anos de prisão efectiva que cumpre no Estabelecimento Prisional de Tires.
Carlos Gordilho
Dia 19 de Novembro, SÁBADO
20 horas | Sessão de Esclarecimento
com Mário Gomes
(com jantar vegetariano)
NÓS OS ANARQUISTAS, SÓ SOMOS APARENTEMENTE PERDULÁRIOS. QUALQUER QUE SEJA A EXPLICAÇÃO, QUEREMOS A LIBERDADE PARA NÓS E PARA TODOS OS DEMAIS OPRIMIDOS.
SIM! QUEREMOS A LIBERDADE PARA TODOS.
Centro de Cultura Libertária – CCL
Rua Cândido dos Reis, 1º Dto., Cacilhas - Almada
quinta-feira, 10 de novembro de 2016
Contra o Arco Mineiro do Orinoco
Sábado, 12 de Novembro
19h - Jantar Vegetariano
20h - Apresentação / vídeo / conversa
Desenvolvimento, eufemismo do Ecocidio: Contra o
Arco Mineiro do Orinoco - Venezuela
No dia 24 de
fevereiro de 2016, foi decretada a Zona de Desenvolvimento Estratégico Mineiro:
O Arco Mineiro do Orinoco. Com uma extensão de 112 mil quilómetros quadrados, é
uma zona de influência direta sobre a Amazónia (impacta o sistema climático
planetário), que inclui florestas tropicais húmidas, savanas de alta
biodiversidade e fragilidade ecológica, alem de principais e estratégicas
fontes de água e territórios de povos indígenas.
O decreto de
mega-mineração entrega este território a 150 empresas nacionais e
multinacionais, em concessões, para a extração de minerais de utilização
industrial como o ouro, o coltan, o ferro, o diamante e a bauxite. Este projeto
impulsiona o maior ecocidio de toda a América Latina e o mesmo implica a
desflorestação, a contaminação, a afetação das fontes hidrográficas principais,
viola os direitos humanos das comunidades originárias e aprofunda a
militarização da zona.
FORÇA E LUTA
LIBERTÁRIA. NÃO AO ARCO MINEIRO DO ORINOCO
quarta-feira, 2 de novembro de 2016
O CCL não é nem o anarquismo actual será o baldio da esquerda política: recordando José Correia Pires
A atitude intervencionista do anarquista José Correia Pires, nascido a 17 de Abril de 1907, em S. Bartolomeu de Messines, foi indelevelmente marcada pela força de uma existência social de onde sobressai a capacidade de resistência à Ditadura portuguesa e a vontade de lutar pela extinção do Estado e contra a propriedade.
Depois do 25 de Abril de 1974, no almoço de confraternização libertária do 1º de Maio, demonstrando a possível continuidade geracional, estivemos lado a lado na primeira manifestação pública do anarquismo realizada em Cacilhas, na cervejaria Canecão.
Já depois desse encontro estivemos lado a lado e envoltos com os anarquistas almadenses no convívio diário que levaria à constituição formal do Centro de Cultura Libertária a 13 de Maio de 1974, cuja sede funcionaria inicialmente em instalações provisórias na Rua Fernão Lopes, nº 12, r/c, em Almada.
Em conformidade com o ideal anarquista estivemos lado a lado na realização do comício anarquista em Junho de 1974 no Salão de Festas da Sociedade Filarmónica Incrível Almadense, associação de que foi seu presidente em 1955-56 e, nessa ocasião como em tantas outras, partilhamos a vivência com os seus amigos tais como Henrique Barbeitos, médico director do Hospital da Misericórdia de Almada, Herculano Pires, advogado e deputado constituinte e Eurico da Fonseca, investigador membro da Junta de Energia Nuclear.
No maior dos eventos que o anarquismo português realizou - o comício na Voz do Operário, em Julho de 1974, evocativo da Revolução Social de 1936-39, em Espanha - estivemos lado a lado na presença dos companheiros da CNT - Confederación National del Trabajo. Queremos aqui lembrar a recepção aos militantes da CNT organizada em Coina pelos anarquistas almadenses e animada pelo companheiro José Correia Pires.
Como se vê, o nosso velho companheiro revelou no último período da sua vida que encarava a hipótese anarquista enquanto actividade revolucionária contra a opressão e a miséria material, por isso estivemos lado a lado na primeira assembleia realizada na Rua Angelina Vidal, 17, 2º andar, em Lisboa, tendo em vista constituir a cooperativa editora do jornal A Batalha, antigo porta-voz da CGT - Confederação Geral do Trabalho.
E numa altura em que a táctica alarve da ditadura pseudo-proletarizada se enraizava e se prontificava para disparar, estivemos lado a lado no comício realizado pelo movimento libertário no Liceu de Beja.
Quanto à solidariedade anarquista estivemos lado a lado quando, no ano de 1974, acomodamos numa casa localizada na Praceta Jornal de Almada, nº4, 4º andar, em Almada, os companheiros espanhóis Rafael, Jaime, Paloma e Paco perseguidos pela máquina repressora da ditadura franquista.
Mas o grupo de Almada constituído pela velha guarda anarquista, apesar da nossa inquieta juventude, não censurou nem nunca nos estigmatizou e com ele aprendemos o anarquismo da revolta e da compaixão, essa é a razão porque estivemos lado a lado no momento do último adeus ao companheiro Jaime Rebelo, em Setúbal, assim como, nos trabalhos preparatórios para a edição do jornal Voz Anarquista, do qual José Correia Pires foi o mentor e assíduo colaborador.
Homem generoso, carpinteiro de profissão, anarquista, autor dos livros «Memórias de Um Prisioneiro do Tarrafal» e «A Revolução Social e a Sua Interpretação Anarquista». Profeta de uma liberdade que, todavia, humanamente não conhecemos, foi sobre os nossos ombros levado à cova no terreiro do cemitério do campo de S. Paulo, em Almada, no dia 29 de Outubro de 1976.
Damos nota nesta efeméride ao artigo publicado no jornal Voz Anarquista nº 18, de Novembro de 1976, com direcção de Francisco Quintal:
Conhecemos Correia Pires, pela primeira vez, nessa bafienta, húmida, sombria e secular cadeia do Aljube, aí por 1932, ano de uma das piores épocas da Ditadura, mas também anos de luta, em que o nosso povo, odiando o tirano, comungava nas praças com todo o seu entusiasmo e, não esquecendo as lutas de Fevereiro de 1927, se revoltasse nas Ilhas, para pouco depois nos dar a acção dignificante de 18 de Janeiro de 34. Eram nossos companheiros abalizados militantes, como Manuel Joaquim de Sousa, Correia de Sousa, Laranjeira, José de Castro, Pimentel, Raul Adão, Machado, e muitos outros. Correia Pires, ali enclausurado como nós, manifestava, ainda jovem, um entusiasmo contagiante e foi esta característica que o marcou pela vida fora.
Após longos anos de Tarrafal, fixou-se em Almada e desta excelente terra nunca mais saiu.
Dotado de espírito polémico mas tolerante, Correia Pires, em todas as camadas da sociedade, até mesmo entre os contrários politicamente, soube criar amigos. Dotado de facilidade de palavra, nunca se escusava a falar em público. Estava sempre pronto a uma gesta pela liberdade ou por um acto de justiça.
A nossa amizade, contraída na prisão, continuou pela vida fora. Se alguma justificação se pode reconhecer nas acções odiosas do Poder, é, e somente, a de apertar laços de amizade e de continuação na luta, a pontos de se poder afirmar, como no caso do nosso dilecto camarada, que os regimens autoritários passam mas a luta, a grande luta pela Liberdade continua sempre. Esta é a lição que Correia Pires transmite!
domingo, 30 de outubro de 2016
Aberturas aos dias úteis
A partir de 2 de Novembro o Centro de Cultura Libertária passa a estar
aberto todos os dias úteis das 18h30 às 20h, além das habituais
aberturas em dias de actividade.
sexta-feira, 7 de outubro de 2016
Sábado, 8 de Outubro no CCL
19h30 - Jantar vegan
21h - Projecção na rua do filme "O bando Bonnot" (ano 1968, de Philippe Fourastié, com Jacques Brel; áudio francês, legendas em português; 110 min)
1911 - 1913 (França e Bélgica).
Este filme debruça-se sobre um conjunto de companheiros que recusaram esperar uma mudança na sociedade para viverem a anarquia que buscavam. Influenciados pelas ideias individualistas, expressas em várias revistas anarquistas da altura, defenderam na prática a convicção de que a luta acrata, o ataque ao mundo do dinheiro e da autoridade, passava por expropriações a bancos e outras acções ilegais.
As práticas que o grupo adoptou (mais tarde abusivamente apelidados de "bando Bonnot" pela polícia e jornais) reflectiam de forma imediata a revolta contra todas as instituições, valendo-lhes a condenação não só dos porta-vozes desta sociedade como de parte do movimento anarquista organizado formalmente.
21h - Projecção na rua do filme "O bando Bonnot" (ano 1968, de Philippe Fourastié, com Jacques Brel; áudio francês, legendas em português; 110 min)
1911 - 1913 (França e Bélgica).
Este filme debruça-se sobre um conjunto de companheiros que recusaram esperar uma mudança na sociedade para viverem a anarquia que buscavam. Influenciados pelas ideias individualistas, expressas em várias revistas anarquistas da altura, defenderam na prática a convicção de que a luta acrata, o ataque ao mundo do dinheiro e da autoridade, passava por expropriações a bancos e outras acções ilegais.
As práticas que o grupo adoptou (mais tarde abusivamente apelidados de "bando Bonnot" pela polícia e jornais) reflectiam de forma imediata a revolta contra todas as instituições, valendo-lhes a condenação não só dos porta-vozes desta sociedade como de parte do movimento anarquista organizado formalmente.
quinta-feira, 15 de setembro de 2016
sábado, 17 de setembro de 2016 - jantar + doc na rua
Sábado, no Centro de Cultura Libertária
(R. Cândido dos Reis, 121, Cacilhas)
19h30 - Jantar
21h - O "colectivo de cinema" apresenta:
"A batalha de Eau Noire (ou como aprendi a não me stressar e a amar a dinamite)", de Benjamin Hennot, 2015, 73’, áudio em francês, legendas em inglês.
Bélgica, 1978. O Ministério das Obras Públicas planeia a construção duma barragem no vale da Eau Noire, acima da pequena aldeia de Couvin. Mas os habitantes tornam-se uma pedra no sapato dos planos do estado… Um filme a várias vozes que comunica a alegria e a força de um movimento que nasceu e se desenvolveu com um punhado de indivíduos decididos.
Naquele turbulento ano de 1978, estes “Irredutíveis” recorreram a tudo o que consideraram necessário para autonomamente atacarem aquele projecto de morte. Juntos conseguiram travar uma barragem que teria engolido o vale da Eau Noire. Nove meses numa luta intensa e determinada. “Foi duro”, todos dizem, acrescentando de imediato que foi o tempo mais belo da vida deles.
Titulo original : La Bataille de l’Eau Noire (ou comment j’ai appris à ne plus m’en faire et à aimer la dynamite)
Documentário de Longa-metragem, 73 minutos
Ano : 2015
Língua : Francês
Legendas : Inglês
Cenário e realização : Benjamin Hennot
Imagem : Michel Baudour
Som : Henri Morelle & Loïc Villiot
Montagem : Damien Keyeux & Laurence Vaes
Mistura : Loïc Villiot
Música : Quentin Manfroy, Yann Lecollaire e Serge Vandiepenbeek
Animação : Murielle Félix & Patrick Theunen
Infografia e calibragem : Stéphane Higelin
quarta-feira, 31 de agosto de 2016
Sábado, 3 de Setembro - Sacco e Vanzetti (filme na rua)
19h30 - Jantar
21h - Projecção na rua do filme "Sacco e Vanzetti" (118 min., áudio italiano com legendas em português)
Boston. Nicola Sacco e Bartolomeo Vanzetti são dois anarquistas italianos emigrantes nos EUA, um sapateiro e o outro peixeiro, que são detidos pela polícia, acusados da morte de um contabilista e de um guarda de uma fábrica de sapatos, a 15 de abril de 1920.
Assassinados pelo Estado a 23 de Agosto de 1927, o seu julgamento levantou uma onda de indignação que percorreu o mundo, em grande parte baseada na inocência dos dois companheiros.
Sobre esta questão, escreveu um outro companheiro:
«[...] A velha justiça com os olhos vendados que desmascaramos para descobrirmos, com horror, que estes estão podres. Mas, embora tenhamos lido e estejamos conscientes de tudo isto, continuamos convencidos de que a justiça deveria funcionar! Credo! Como podem vocês enviar dois homens inocentes para a morte! A sagrada indignação de tantos companheiros anarquistas caminha lado a lado com a leiga indignação dos comunistas, dos democratas e dos possibilistas de toda a espécie. A gloriosa cruzada da esquerda converge sempre que os nomes de Sacco e Vanzetti são mencionados. E o que os liga é precisamente a geral e objectivamente justificável questão da inocência. Mas a raiva que está na base disto, a raiva por dois companheiros assassinados pelo Estado, não nos pode fazer fechar os olhos a outros problemas. [...]»
Alfredo M. Bonanno - "Algumas notas sobre Sacco e Vanzetti"
(no livro "Solidariedade Revolucionária", disponível em https:// revoltaesubversao.wordpress .com/2016/06/30/ solidariedade-revolucionari a/ )
21h - Projecção na rua do filme "Sacco e Vanzetti" (118 min., áudio italiano com legendas em português)
Boston. Nicola Sacco e Bartolomeo Vanzetti são dois anarquistas italianos emigrantes nos EUA, um sapateiro e o outro peixeiro, que são detidos pela polícia, acusados da morte de um contabilista e de um guarda de uma fábrica de sapatos, a 15 de abril de 1920.
Assassinados pelo Estado a 23 de Agosto de 1927, o seu julgamento levantou uma onda de indignação que percorreu o mundo, em grande parte baseada na inocência dos dois companheiros.
Sobre esta questão, escreveu um outro companheiro:
«[...] A velha justiça com os olhos vendados que desmascaramos para descobrirmos, com horror, que estes estão podres. Mas, embora tenhamos lido e estejamos conscientes de tudo isto, continuamos convencidos de que a justiça deveria funcionar! Credo! Como podem vocês enviar dois homens inocentes para a morte! A sagrada indignação de tantos companheiros anarquistas caminha lado a lado com a leiga indignação dos comunistas, dos democratas e dos possibilistas de toda a espécie. A gloriosa cruzada da esquerda converge sempre que os nomes de Sacco e Vanzetti são mencionados. E o que os liga é precisamente a geral e objectivamente justificável questão da inocência. Mas a raiva que está na base disto, a raiva por dois companheiros assassinados pelo Estado, não nos pode fazer fechar os olhos a outros problemas. [...]»
Alfredo M. Bonanno - "Algumas notas sobre Sacco e Vanzetti"
(no livro "Solidariedade Revolucionária", disponível em https://
quarta-feira, 10 de agosto de 2016
Doc's na rua: The potentiality of storming heaven + 6 December 2006
Sábado, 13 de Agosto
20h - Jantar vegan
21h - Projecção na rua dos documentários:
* 6 December 2008
(as primeiras horas após o assassinato pela polícia de Alexis Grigoropoulos. 2008; Áudio: Grego; Legendas: Inglês; 19 min.)
* The potentiality of storming heaven
(a revolta na Grécia entre Dezembro de 2008 e Janeiro de 2009, com palavras de quem a viveu. 2009; Áudio: Grego; Legendas: Inglês; 28 min.)
" [...] a maioria de nós lembra-se exactamente do que estava a fazer quando a notícia do assassinato policial nos atingiu como um choque eléctrico colectivo. Durante aqueles primeiros dias não nos apercebemos que estávamos a fazer parte de algo que iria definir profundamente os anos seguintes, algo que de um motim reflexo contra o assassinato do Alexis naquela noite de 6 de Dezembro, se viria a tornar uma incontrolável tempestade de motins que rapidamente se espalharam pelo país e abalaram a Grécia durante mais de um mês, inspiraram acções de solidariedade por todo o mundo e influenciaram os movimentos de resistência em toda a parte nos anos que se lhes seguiram. "
20h - Jantar vegan
21h - Projecção na rua dos documentários:
* 6 December 2008
(as primeiras horas após o assassinato pela polícia de Alexis Grigoropoulos. 2008; Áudio: Grego; Legendas: Inglês; 19 min.)
* The potentiality of storming heaven
(a revolta na Grécia entre Dezembro de 2008 e Janeiro de 2009, com palavras de quem a viveu. 2009; Áudio: Grego; Legendas: Inglês; 28 min.)
" [...] a maioria de nós lembra-se exactamente do que estava a fazer quando a notícia do assassinato policial nos atingiu como um choque eléctrico colectivo. Durante aqueles primeiros dias não nos apercebemos que estávamos a fazer parte de algo que iria definir profundamente os anos seguintes, algo que de um motim reflexo contra o assassinato do Alexis naquela noite de 6 de Dezembro, se viria a tornar uma incontrolável tempestade de motins que rapidamente se espalharam pelo país e abalaram a Grécia durante mais de um mês, inspiraram acções de solidariedade por todo o mundo e influenciaram os movimentos de resistência em toda a parte nos anos que se lhes seguiram. "
quinta-feira, 4 de agosto de 2016
"La estrategia del caracol" + Jantar
Sábado, 6 de Agosto
19h: Filme "La estrategia del caracol"
21h: Jantar - cozinha tradicional colombiana, versão vegan
"Moradores de um bairro de Bogotá lutam para evitar a demolição da casa onde moram, propriedade de um milionário sem escrúpulos, como sempre são os milionários. Defendendo o edifício de juízes e polícias, planeiam uma original estratégia. A luta contra os especuladores parece estar perdida antes de começar, mas os habitantes estão dispostos a fazer tudo o possível para defender a sua dignidade."
País: Colômbia; Duração: 105 minutos; Ano: 1993; Legendas: Português; Realizador: Sergio Cabrera.
19h: Filme "La estrategia del caracol"
21h: Jantar - cozinha tradicional colombiana, versão vegan
"Moradores de um bairro de Bogotá lutam para evitar a demolição da casa onde moram, propriedade de um milionário sem escrúpulos, como sempre são os milionários. Defendendo o edifício de juízes e polícias, planeiam uma original estratégia. A luta contra os especuladores parece estar perdida antes de começar, mas os habitantes estão dispostos a fazer tudo o possível para defender a sua dignidade."
País: Colômbia; Duração: 105 minutos; Ano: 1993; Legendas: Português; Realizador: Sergio Cabrera.
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