terça-feira, 25 de abril de 2017

29 de Abril: Jantar + Filme "A Noite dos Lápis"


29 de Abril
A NOITE DOS LÁPIS

de Héctor Olivera (1986, 106 min., legendas em português)

19.30 | Jantar vegetariano
20.30 | Projecção do filme


Em Setembro de 1976, durante os primeiros meses da ditadura militar argentina, vários estudantes do ensino secundário da cidade de La Plata são sequestrados, torturados e assassinados devido aos seus protestos pela redução do preço dos transportes.

domingo, 23 de abril de 2017

Senhores propagandistas da banha de cobra...

Texto de um sócio do CCL sobre a recente homenagem a João Freire feita no Portal Anarquista, recebido com pedido de divulgação:


SENHORES PROPAGANDISTAS DA BANHA DE COBRA...
ATENÇÃO! OS INTERESSES DO CENTRO DE CULTURA LIBERTÁRIA FORAM LESADOS.


Estimado Companheiro,
Carlos Júlio.

Publicou o Portal Anarquista há bem poucos dias no Facebook uma peculiar nota de reconhecimento tilintante rasgando elogios ao senhor João Freire, dando conta do porte de grande anarquista que em todo o caso, tal senhor nunca foi merecedor em nenhum momento.
Primeiro, vamos directamente ao assunto que hoje nos interessa: o Centro de Cultura Libertária, doravante CCL, foi no processo de constituição do Arquivo Histórico-Social muito prejudicado. É afirmado pelo próprio João Freire nas suas memórias «Pessoa comum no seu tempo», p. 471, que o Centro de Estudos Libertários acolheu a «doação de espólios documentais por parte de antigos militantes libertários ou seus descendentes». Daí nunca referir claramente nem sequer de modo discreto a sua iniciativa para obter os documentos existentes no fundo documental do CCL. Ora, quanto a este assunto reina o silêncio absoluto,  mais parece ter o homem recalcado a tendência do seu comportamento para vasculhar arquivos.
Os fundamentos da minha denúncia prendem-se com os actos delituosos praticados por João Freire. Sublinhe-se que na altura os mentores do Centro de Estudos Libertários chegaram a elaborar no CCL um rastreio onde constavam 270 obras literárias, presume-se em conluio com os técnicos do designado Arquivo Histórico-Social e/ou a mando deste famoso académico «anarquista».
Na verdade, foi na Assembleia Geral de sócios do CCL, realizada a cinco de Janeiro de 1985, consultar a Acta número 9, folhas 29/30, que a questão do Arquivo Histórico-Social foi introduzida ad hoc na ordem de trabalhos desta reunião e, pela primeira vez, levantada através do senhor Carlos Reis, «devido ao facto do companheiro João Freire, mais dentro do assunto, ainda não ter chegado.» Finalmente, para se perceber hoje a habilidade implicada nos procedimentos do académico «anarquista» João Freire, mandante do senhor Carlos Reis, passo a transcrever parte da Acta número 9: «Finalmente no ponto seis, não tendo comparecido o companheiro João Freire, prestou-se o companheiro Carlos Reis a informar a assembleia da situação do Arquivo Histórico-Social e de uma proposta para cedência mútua de (ob) digo, exemplares de livros e periódicos constantes das duas bibliotecas, proposta que foi aceite unanimemente.»
O senhor João Freire, alegando o seu interesse ao estudo, na altura apoderou-se de documentos pertencentes ao espólio histórico do CCL, Associação Libertária com sede em Almada. De facto, em nenhuma circunstância conforme é possível analisar nos papeis oficiais do CCL, se perspectivou ou foi deliberado doar os referidos livros e outros documentos quer ao senhor João Freire quer a alguma outra entidade com carácter público ou privado.
Segundo, é com o propósito de contribuir para o cabal esclarecimento desta situação ocorrida no CCL, Associação que então se viu delapidada de alguma parte do seu património histórico (contextualizando o 3º ponto da Ordem de Trabalhos: Situação perante o Arquivo Histórico Social, posição definitiva do Centro), que aqui transcrevo parte do conteúdo da acta número 13 da Assembleia Geral Extraordinária, a folhas 39/42, da ordem sequencial do Livro de Actas, datada aos nove dias de Novembro de mil novecentos e oitenta e seis: «Através do João Freire foi-nos pedido um certo número de títulos da nossa biblioteca, para seguirem para a Biblioteca Nacional através do Centro de Estudos Libertários. Nessa altura acedi a tal transacção dos livros porque não vi grandes inconvenientes e porque confiava na pessoa de João Feire. Hoje a minha opinião é diferente. Se esses livros fazem parte do património do Centro e podendo a sua biblioteca ser dinamizada, entendo que é neste Centro que os livros devem permanecer. Se temos perspectivas de remodelar este Centro, não nos podemos permitir o luxo de o empobrecer. Somos talvez hoje o núcleo anarquista que mais publicações periódicas e não periódicas recebe, aumentando, assim, gradualmente o nosso espólio e podendo fazer deste Centro um Centro de Documentação e Arquivo, sem tutela do Estado, como acontece na Biblioteca Nacional. Não temos em nosso poder nenhum termo de responsabilidade passado pela Biblioteca Nacional em como, a qualquer momento, poderemos recuperar os livros. A palavra de João Freire não me chega, hoje. Pelo seu comportamento em relação à coordenadora libertária, por se ter demitido deste Centro sem qualquer explicação, pela sua falta de frontalidade (utilizando lateralmente influências, à boa maneira da cunha e coscuvilhice portuguesas, em lugar de se dirigir directamente ao Centro), João Freire não me merece a mínima consideração nem confiança, tanto como anarquista, como também como pessoa.»
No essencial, julgo não proceder como se nada na recente história do anarquismo em português se tivesse passado. Realmente, no CCL facilitámos em demasia as vivências dos acontecimentos, por isso, parece que somos considerados ingénuos politicamente. Mas não declinámos perante os objectivos programáticos da Associação e, porventura, isso leva-me também hoje a interrogar se não será justo reivindicar a devolução dos referidos documentos históricos subtraídos à biblioteca e ao fundo documental da Associação. Não quero deixar de realçar uma breve referência a Carlos Reis expressa na Acta número 14, com a data de vinte e quatro de Janeiro de mil novecentos e oitenta e sete, a folha 42, reportando que o único voto a favor da transferência dos livros deste Centro para a Biblioteca Nacional, foi o dele.


Finalmente, é certo que confirmada a natureza dos factos acima aludidos estes configurarão um abuso de confiança bem como de apropriação indevida de bens, e também uma total quebra de lealdade por parte deste antigo sócio do CCL, que actuou em circunstâncias e contornos muito pouco esclarecedores face ao funcionamento desta Associação.
Quanto ao amadurecimento do anarquismo em português, foi com este tipo de colaborações que o «nosso» académico pretendeu com o seu projecto pseudo libertário atingir o compromisso reformista iniciado em torno da publicação A Ideia a partir de 1974.
Em sequência, exulto na qualidade de associado e membro dos órgãos sociais do CCL, prometendo respeitar todas as decisões da Assembleia Geral que será convocada para o efeito, com a minha exclusiva responsabilidade neste processo de reparação moral, procurando determinar e envolver todos os associados que queiram de agrado contribuir, dignamente, para o devido esclarecimento do processo, tendo em vista a reposição dos livros e outros documentos no arquivo que, antes demais, pertencem a esta Associação Libertária.

Com as saudações libertárias,

Carlos Gordilho
Quinta da Alegria, Almada, 2017

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Aulas de alemão no CCL! German language lessons at CCL!


A partir de 23 de Abril, vai haver aulas grátis de alemão no CCL, todos os domingos das 17.30 às 19.30.
Enviar um e-mail antes para ateneu2000@gmail.com

*    *    *

There will be free classes to learn German at CCL. Starting at the 23rd of april, every sunday 5:30-7:30pm.
Please write an email in advance to ateneu2000@gmail.com

Bis bald!

terça-feira, 18 de abril de 2017

22 de Abril: Apresentação da publicação “EL DUENDE ANARQUISTA” + jantar


22 de Abril
Apresentação da publicação
“EL DUENDE ANARQUISTA”


17.30 | Documentário “No hubo tiempo para la tristeza”
18.30 | Apresentação
20:00 | Jantar vegetariano

“El duende anarquista” é uma publicação, editada em castelhano, português e inglês, sobre o movimento estudantil dos anos 80 em Medellín, Colômbia, e sobre a história de história de Juan Pineda Gallego, um anarquista activo no movimento estudantil assassinado em 1991.

domingo, 16 de abril de 2017

CCL na Feira do Livro e das Edições de Autor


O Centro de Cultura Libertária vai estar presente com uma banca na Feira do Livro e das Edições de Autor na Escola António Arroio em Lisboa.

A não perder nos dias 20 e 21 de Abril!

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Actividades no CCL em Abril de 2017


15 de Abril
NEM DEUS NEM MESTRE
Uma História do Anarquismo

de Tancrèdre Ramonet

2ª parte - La Mémoire des Vaincus (1911-1945)
(90 min., 2016, legendas em francês)
 
20.00 | Jantar vegetariano
21.00 | Projecção do filme


É um filme francês que acaba de aparecer no circuito de distribuição cinematográfica. Realizado em 2 partes de 90 minutos, constitui uma síntese da história do anarquismo social dos últimos 150 anos. A qualidade e a diversidade das imagens inéditas obtidas a partir de arquivos, documentos esquecidos e as entrevistas exclusivas com estudiosos do movimento operário, conferem a este panorama a convicção que não podem destruir as nossa ideias.


22 de Abril
Apresentação da publicação
“EL DUENDE ANARQUISTA”
 
17.30 | Documentário “No hubo tiempo para la tristeza”
18.30 | Apresentação
20:00 | Jantar vegetariano

“El duende anarquista” é  uma publicação,  editada em castelhano, português e inglês, sobre o movimento estudantil dos anos 80 em Medellín, Colômbia, e sobre a história de história de Juan Pineda Gallego, um anarquista activo no movimento estudantil assassinado em 1991.


29 de Abril
A NOITE DOS LÁPIS
de Héctor Olivera (1986, 106 min., legendas em português)

19.30 | Jantar vegetariano
20.30 | Projecção do filme

Em setembro de 1976, durante os primeiros meses da ditadura militar argentina, vários estudantes do ensino secundário da cidade de La Plata são sequestrados, torturados e assassinados devido aos seus protestos pela redução do preço dos transportes.


Em Abril, o CCL está também aberto às sextas-feiras das 19.00 às 21.00

segunda-feira, 10 de abril de 2017

15 de Abril: "NEM DEUS NEM MESTRE" (2ª parte) + jantar


15 de Abril
NEM DEUS NEM MESTRE
Uma História do Anarquismo

de Tancrèdre Ramonet

2ª parte - La Mémoire des vaincus (1911-1945)
(90 min., 2016, legendas em francês)

20.00 | Jantar vegetariano
21.00 | Projecção do filme


É um filme francês que acaba de aparecer no circuito de distribuição cinematográfica. Realizado em 2 partes de 90 minutos, constitui uma síntese da história do anarquismo social dos últimos 150 anos. A qualidade e a diversidade das imagens inéditas obtidas a partir de arquivos, documentos esquecidos e as entrevistas exclusivas com estudiosos do movimento operário, conferem a este panorama a convicção que não podem destruir as nossa ideias.

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Novo horário em Abril: sextas das 19.00 às 21.00


Em Abril, o Centro de Cultura Libertária estará aberto às sextas-feiras das 19.00 às 21.00.

Também haverá actividades noutros dias a anunciar.

É possível consultar a biblioteca e a livraria, e o bar está aberto para tomar um café ou uma cervejinha.


quarta-feira, 29 de março de 2017

VESTÍGIOS DA VIDA DO “OUTRO” ANARQUISMO EM ALMADA


[Filmagem do comício libertário realizado na Incrível Almadense em 20 de Junho de 1974: https://arquivos.rtp.pt/conteudos/movimento-libertario-portugues/]

Como sabemos, com a queda da ditadura nacional implantada a 28 de Maio de 1926, ou seja, no contexto subsequente ao golpe militar de 25 de Abril de 1974, o carácter da acção levada a efeito nessa conjuntura política pelo grupo libertário de Almada é difícil de enquadrar e de sintetizar numa fórmula simples. A estratégia de intervenção desta associação libertária, formada na deliberação da Assembleia de 13 de Maio de 1974 por dez elementos da velha guarda anarquista de base operária e um jovem antimilitarista refractário do Serviço Militar Obrigatório (S.M.O.), conheceu momentos de euforia que projectaram o anarquismo para lá do espaço que logicamente seria do domínio circunscrito à actividade local do Grupo de Cultura e Acção Libertária. Durante este período, enquanto respondiam à especificidade do que ousam chamar de «revolução do 25 de Abril», este núcleo de companheiros mais velhos constituía a delegação do Movimento Libertário Português que, sob um esquema organizativo, integra e estrutura a região do sul do país.
O filme documenta o primeiro comício organizado pelos resistentes libertários após o derrube do Estado Novo; é uma acção pública que produz o efeito daqueles momentos, que prosseguem sem sucumbir e são capazes de sobreviver ao seu desenlace histórico. Entre outros acontecimentos abundantemente evocados pela historiografia, por exemplo, o 1º de Maio de 1974 onde os anarcosindicalistas desfilaram ostentando com orgulho o antigo estandarte da Secção de Belém do Sindicato Único Metalúrgico associado à organização anarcosindicalista portuguesa, a Confederação Geral do Trabalho (C.G.T.), poderíamos debater e interpretar estas imagens ligadas ao relançamento do anarquismo no contexto sócio-cultural ameaçado pela velocidade da modernização da sociedade. Nesta fase de aguda crise social estas imagens encontram-se preservadas no arquivo da RTP; neste sentido elas estão disponíveis e não perdem a consistência da sua privilegiada relação ideológica ao serem visionadas nomeadamente por todos os interessados.
Trata-se da memória colectiva da história social do anarquismo em Portugal que resistiu durante décadas à calamidade do nacionalismo e do militarismo. Mas é também a prova da persistência revolucionária daqueles companheiros veteranos cheios de esperança num tempo melhor e mais propício à expansão do ideal. Estes activistas anarquistas pretendiam esboçar um movimento libertário unificado, não renunciando à luta pela reconstrução do movimento consciente da sua ideologia. Com o fim da ditadura fascista em 1974, não podíamos deixar de fazer uma breve referência ao empenho e determinação deste agrupamento autónomo que viveu essa época agitada do «PREC» refazendo o anarquismo e, de forma socialmente intensa, participava no evoluir das actividades anarquistas defrontando os sofismas sociais, políticos e ideológicos repercutidos por todos os partidos políticos. Eles, com o fôlego de velhos militantes cegestistas, ampliavam o futuro com uma nova expectativa expurgada de toda a nostalgia, viam na Revolução Social um processo libertador, e por isso distanciavam-se daquelas personagens que presas ao passado olham sobre o ombro para trás.


O Grupo de Cultura e Acção Libertária reuniu no dia 24 de Maio de 1974, pelas 21.30 horas, nas instalações provisórias da sua sede (lembro-me que funcionava numa pequena sala de um armazém de brinquedos), na rua Fernão Lopes, nº 12, r/c, em Almada, a fim de discutir a iniciativa de se realizar uma sessão de propaganda local. O projecto foi unanimemente aprovado pelo conjunto dos companheiros que logo constituíram uma comissão das actividades em curso da delegação do Movimento Libertário Português.
Deste modo, foi o referido evento agendado para dia 20 de Junho de 1974, às 21.30 horas nas instalações do salão de festas da Sociedade Filarmónica Incrível Almadense. Quando se pormenorizava os trabalhos preparatórios, no dia 2 de Junho de 1974, foi determinado convidar dois companheiros de Lisboa para intervirem no comício com as suas próprias comunicações e, considerando a falta de meios materiais, redigir um comunicado para ser impresso e fazer-se a sua distribuição pública na cidade de Almada. Com efeito, ainda foi decidido executar alguns cartazes em papel cenário exibindo algumas sentenças de teor educativo para serem posteriormente fixados nas galerias superiores do salão de festas da Incrível Almadense.
O objectivo desta sessão pública de esclarecimento era expor as propostas do programa anarquista para a questão social. Na mesa podemos ver, no sentido da esquerda para a direita, o médico Gladstone da Costa, um elemento exterior à funcionalidade orgânica do movimento, mas que na altura demonstrara ser um simpatizante e amigo dos anarquistas almadenses. Ao seu lado estava o valioso elemento anarquista Francisco Quintal (1898-1987), que nos anos 20 foi director do jornal O Anarquista, órgão da União Anarquista Portuguesa (U.A.P.) e delegado desta organização anarquista à Conferência de Valência, em Julho de 1927, da qual emergiu a Federação Anarquista Ibérica (F.A.I.). Após o 25 de Abril, teve um papel preponderante na fundação do Centro de Cultura Libertária (C.C.L.), sendo mais tarde o director do jornal Voz Anarquista publicado a partir de Janeiro de 1975 por este grupo anarquista de Almada. Seguindo a mesma ordem, pode ver-se o antigo funcionário dos Serviços Técnicos do Município de Almada, de seu nome Domingues. Foi sob o impulso escrupuloso da liberdade que durante esse período frequentemente prestou uma colaboração valiosa e, sem nunca associar-se ao alcance do nosso ideário, poderá dizer-se que nunca saiu diminuído do nosso ambiente. Por isso vale a pena lembrar que foi um amigo deste grupo libertário.


No centro dos palestrantes vemos o operário metalúrgico Sebastião de Almeida (1908-?), elemento libertário formado dentro da organização autónoma que reflectia o clima rebelde das Juventudes Sindicalistas, enquanto orador e coordenador dos trabalhos da mesa. Com o restabelecimento das liberdades democráticas, participou no encontro dos anarquistas no 1º de Maio de 1974, em Cacilhas, na cervejaria Canecão. Nesta caminhada para promover, organizar e afirmar o anarquismo num trabalho contínuo, sempre foi incansável, discreto e um esforçado militante que desempenhou com a sua presença um papel essencial, mantendo durante longo tempo o funcionamento administrativo do jornal mensal Voz Anarquista. Não é de estranhar que ao seu lado esteja o livreiro Manuel Achando, gestor da livraria Capas Negras, um estabelecimento situado numa das zonas mais vivas da cidade de Almada. Com efeito, foi neste período excepcional que o antigo professor de matemática da Escola Comercial e Industrial Emídio Navarro veio juntar-se aos libertários, disponibilizando as duas montras daquela livraria para se manter uma exposição permanente de propaganda e venda de obras anarquistas. Curiosamente, foi nesse meio de marcada influência cultural que o jovem Carlos Reis, mais tarde editor do boletim Satanás, despontou para o anarquismo.
Posicionado num dos extremos da mesa vemos o militante anarquista carpinteiro de profissão José Correia Pires (1907-1976). É uma figura de maior importância anarquista que, por imperativo ético, fazia propaganda combatendo o Totalitarismo moderno e, por extensão, o fascismo e o bolchevismo, na suas versões trotskista, estalinista e maoista, tendo fixado em Almada a sua residência, em 1945, após a sua libertação do Campo de Concentração do Tarrafal. Na nossa perspectiva, poder dizer-se que este homem bom agregou em si quer uma imensa simpatia humana quer a admiração de todos com quem ele conviveu. Enquanto opositor à ditadura nacional enformada pelo Estado Novo, viria a desenvolver uma intensa actividade associativa, sendo presidente, em 1955-56, da Sociedade Filarmónica Incrível Almadense testemunhando, desse modo, o pendor activista do anarquismo social. Na verdade, face aos condicionalismos impostos à livre reunião das pessoas e à liberdade de imprensa, e ao aniquilamento de qualquer actividade de forma a impedir a afirmação social e a objecção de consciência - a ditadura nacional desde o seu início tornou evidente que o seu objectivo era a ilegalização das estruturas do movimento libertário - o companheiro José Correia Pires assumiu com o seu testemunho directo um papel muito importante na vida pública da cidade de Almada, vindo a falecer a 28 de Outubro de 1976.
A finalizar debruçar-nos-emos sobre aquele que é a personagem emocionalmente mais conhecida do atentado à bomba, em 1937, o único atentado contra o ditador português Oliveira Salazar. O destacado militante anarcosindicalista Emídio Santana (1906-1988) encontra-se posicionado no extremo do conjunto dos oradores. Dentro do conceito sindicalista revolucionário e distinguindo-se pela sua posição de independência no campo das ideias, veio falar do processo de restabelecimento da «normalidade constitucional», atendendo a que era indispensável pensar a latitude revolucionária da central operária, a estrutura organizacional que deve conduzir à revolução social, cujo objectivo de emancipação social consigna que «a emancipação dos trabalhadores deve ser obra dos próprios trabalhadores».


No espaço do grande salão de festas da Sociedade Filarmónica Incrível Almadense, entre os rostos desconhecidos de muitas pessoas assistentes que denunciavam uma justificada curiosidade, passava a denúncia triunfante e o gozo do rancor político de substância predominantemente marxista de alguns dos jovens que estavam presentes. Entre os inúmeros rostos, não podemos deixar de referir a presença daqueles que na impetuosidade da época iam transmitindo apaixonadamente o conteúdo das nossas ideias, por isso destacamos nas primeiras filas da assistência colectiva participada, o companheiro Barreto Atalaião, a companheira Berta, o sapateiro Artur Modesto (1897-1985), o trabalhador rural José Paulo Lola (1901-?) e o comerciante de pescado José de Brito; mais atrás, também vemos o companheiro setubalense Jaime Rebelo (1900-1975). E nessa imensa malha humana de dezenas e dezenas de pessoas, além do autor destas linhas, sabemos que alguns mais anarquistas de Almada marcaram a sua presença, tais como os companheiros Jorge Quaresma (1905-1990), o operário corticeiro anarquista e esperantista José Eduardo (1909-?), Fernando Paiva Moura (1925-), contra-mestre de 1ª do Arsenal do Alfeite e fundador com o companheiro José Correia Pires da Cooperativa da Panificação Sulcoop, que hoje vive ainda em Almada, o carpinteiro de moldes Viriato Pereira (1927-?) e outros que pedimos desculpa por não mencionar por falta de espaço, atraindo a simpatia da população local e amizade ao Movimento Libertário Português.
Actualmente a nossa Associação funciona como um Ateneu Libertário - depois de derrubadas as ditaduras salazarista e franquista é o mais antigo da Península Ibérica -, começando no seu propósito por ser um lugar aberto ao encontro de grupos e convívio de outros indivíduos que livremente o compõem, com o fim de divulgar no plano social a hipótese anarquista. E, assim, faz muitos e muitos anos que dentro dos mesmos princípios abrangendo diversas gerações se editou o jornal Voz Anarquista, a revista Antítese, o Boletim de Informações Anarquistas e por fim a revista Húmus, procurando-se produzir um ambiente que reflicta um espírito não subserviente de forma a alargar as experiências e a mente humana. Mas é necessário dizer o que importa sem querermos ser sentimentais, pois a nossa associação flutua sobre as condições que derivam do apoio mútuo que lhe está na origem e a sua identidade está ligada indissoluvelmente aos anarquistas comummente designados por a velha guarda comunista libertária de Almada. É a esta consciência que hoje somos responsavelmente aderentes.

Carlos Gordilho,
Quinta da Alegria, Almada, 2017


quarta-feira, 22 de março de 2017

25 de Março: Apresentação e conversa com o Coletivo Estudantil Libertário de Lisboa


25 de Março

“DEFENDER O PÚBLICO, CONSTRUIR O COMUM”
Apresentação e conversa com o
Coletivo Estudantil Libertário de Lisboa
18.00 | Apresentação/Conversa
20.00 | Jantar vegetariano

“O Coletivo Estudantil Libertário de Lisboa é formado por estudantes de diversas escolas e faculdades, da área da Grande Lisboa, que visam não só contribuir para a construção de uma sociedade livre, igualitária, e horizontal, mas principalmente: analisar e subverter a opressão no espaço escolar, combatendo os ataques feitos dentro do mesmo pela classe dominante, e lutando progressivamente por uma educação que parta das vontades e desejos do estudante e não de quem precisa de mais engrenagens para manter em funcionamento um sistema económico e político falido.”

terça-feira, 14 de março de 2017

18 de Março­: "NEM DEUS NEM MESTRE: Uma História do Anarquismo" + jantar


18 de Março­
NEM DEUS NEM MESTRE
Uma História do Anarquismo

de Tancrèdre Ramonet

1º parte - La Volupté de la Destruction (1840-1914)
(90 min., 2016, legendas em francês)

19.00 | Projecção do filme
21.00 | Jantar vegetariano


É um filme francês que acaba de aparecer no circuito de distribuição cinematográfica. Realizado em 2 partes de 90 minutos, constitui uma síntese da história do anarquismo social dos últimos 150 anos. A qualidade e a diversidade das imagens inéditas obtidas a partir de arquivos, documentos esquecidos e as entrevistas exclusivas com estudiosos do movimento operário, conferem a este panorama a convicção que não podem destruir as nossa ideias.

quarta-feira, 8 de março de 2017

Actividades no CCL em Março!


11 de Março
DESAPARECIDOS

de Carla Novi (88 min., México/UK, 2015)

18.00 | Projecção do documentário
(com a presença da realizadora)
20.00 | Jantar mexicano

Depois do desaparecimento de 43 estudantes de Ayotzinapa em 26 de Setembro de 2014, os protestos rebentaram no México. Pessoas de diferentes origens, classes e idades saíram à rua para expressar a sua indignação; organizaram manifestações para exigir ao governo acções para encontrá-los. Em consequência, muitos dos envolvidos nas manifestações foram ameaçados, raptados como prisioneiros políticos, torturados e assassinados.
“Desaparecidos” segue as histórias de alguns mexicanos da geração actual que vivem com o risco de se tornarem desaparecidos devido à sua participação nos protestos.


18 de Março­
NEM DEUS NEM MESTRE
Uma História do Anarquismo

de Tancrèdre Ramonet

1º parte - La Volupté de la Destruction (1840-1914)
(90 min., 2016, legendas em francês)

19.00 | Projecção do filme
21.00 | Jantar vegetariano

É um filme francês que acaba de aparecer no circuito de distribuição cinematográfica. Realizado em 2 partes de 90 minutos, constitui uma síntese da história do anarquismo social dos últimos 150 anos. A qualidade e a diversidade das imagens inéditas obtidas a partir de arquivos, documentos esquecidos e as entrevistas exclusivas com estudiosos do movimento operário, conferem a este panorama a convicção que não podem destruir as nossa ideias.


25 de Março
“DEFENDER O PÚBLICO, CONSTRUIR O COMUM”
Apresentação e conversa com o
Coletivo Estudantil Libertário de Lisboa


18.00 | Apresentação/Conversa
20.00 | Jantar vegetariano

“O Coletivo Estudantil Libertário de Lisboa é formado por estudantes de diversas escolas e faculdades, da área da Grande Lisboa, que visam não só contribuir para a construção de uma sociedade livre, igualitária, e horizontal, mas principalmente: analisar e subverter a opressão no espaço escolar, combatendo os ataques feitos dentro do mesmo pela classe dominante, e lutando progressivamente por uma educação que parta das vontades e desejos do estudante e não de quem precisa de mais engrenagens para manter em funcionamento um sistema económico e político falido.”

segunda-feira, 6 de março de 2017

11 de Março: Documentário "Desaparecidos" + jantar mexicano


11 de Março

DESAPARECIDOS

de Carla Novi
(88 min., México/UK, 2015)

 
18h – Projecção do documentário
(com a presença da realizadora)
20h – Jantar mexicano


Depois do desaparecimento de 43 estudantes de Ayotzinapa em 26 de Setembro de 2014, os protestos rebentaram no México. Pessoas de diferentes origens, classes e idades saíram à rua para expressar a sua indignação; organizaram manifestações para exigir ao governo acções para encontrá-los. Em consequência, muitos dos envolvidos nas manifestações foram ameaçados, raptados como prisioneiros políticos, torturados e assassinados.
“Desaparecidos” segue as histórias de alguns mexicanos da geração actual que vivem com o risco de se tornarem desaparecidos devido à sua participação nos protestos.

http://www.carlanovi.co.uk/pages/desaparecidos.html

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

25 de Fevereiro: Jantar + Filme "O Limoeiro"


25 de Fevereiro

O LIMOEIRO

de Eran Riklis (Israel, 2008, 106 min., legendado em português)

19:00 | Jantar vegetariano
20:00 | Projecção do filme "O Limoeiro"


Salma, uma viúva palestina, vê a sua plantação de limoeiros [herdada do seu falecido pai] ser ameaçada quando o novo vizinho, o Ministro da Defesa de Israel, se muda para a casa ao lado. A Força de Segurança Israelita logo declara que os limoeiros de Salma colocam em risco a segurança do Ministro e, por isso, precisam de ser derrubados.

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

18 de Fevereiro: WORKSHOP DE DEFESA PESSOAL, seguido de jantar vegetariano


18 de Fevereiro

WORKSHOP DE DEFESA PESSOAL


17:00 | Workshop
20:00 | Jantar vegetariano

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Retomam as aulas de português para estrangeiros no CCL / Portuguese classes for foreigners continue at CCL



Aulas de português para estrangeiros. 
Enviar e-mail para o CCL para combinar.

Free Portuguese language classes for foreigners. 
To arrange a schedule please send an email to CCL:




segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

11 de Fevereiro: MESOAMÉRICA RESISTE


11 de Fevereiro

MESOAMÉRICA RESISTE


18:00 | Apresentação
20:00 | Jantar vegetariano


Apresentação de um mapa ilustrado da América Central, resultante de 9 anos de trabalho do Beehive Design Collective, que denuncia a invasão moderna dos mega-projectos planeados para a região, revelando histórias de resistência e solidariedade das comunidades locais para defender os seus territórios e modos de vida.

http://beehivecollective.org/graphics-projects/mesoamerica-resiste/

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2017

Actividades no CCL em Fevereiro



4 de Fevereiro
TERRAMOTOURISM

Um documentário do colectivo Left Hand Rotation

19:00 | Jantar vegetariano
20:00 | Projecção do documentário
(com a presença dos realizadores)


A 1 de novembro de 1755 um terramoto destruiu a cidade de Lisboa. Hoje, Lisboa é abalada por um sismo turístico que transforma a cidade a velocidade de cruzeiro. “Terramotourism” é um retrato subjetivo de uma cidade e da sua transformação ao longo dos últimos 6 anos.


11 de Fevereiro
MESOAMÉRICA RESISTE


18:00 | Apresentação
20:00 | Jantar vegetariano


Apresentação de um mapa ilustrado da América Central, resultante de 9 anos de trabalho do Beehive Design Collective, que denuncia a invasão moderna dos mega-projectos planeados para a região, revelando histórias de resistência e solidariedade das comunidades locais para defender os seus territórios e modos de vida.


18 de Fevereiro
WORKSHOP DE DEFESA PESSOAL


17:00 | Workshop
20:00 | Jantar vegetariano



25 de Fevereiro
O LIMOEIRO

de Eran Riklis (Israel, 2008, 106 min., legendado em português)

19:00 | Jantar vegetariano
20:00 | Projecção do filme "O Limoeiro"


Salma, uma viúva palestina, vê a sua plantação de limoeiros [herdada do seu falecido pai] ser ameaçada quando o novo vizinho, o Ministro da Defesa de Israel, se muda para a casa ao lado. A Força de Segurança Israelita logo declara que os limoeiros de Salma colocam em risco a segurança do Ministro e, por isso, precisam de ser derrubados.


Centro de Cultura Libertária
Rua Cândido dos Reis, 121, 1º Dto. - Cacilhas
culturalibertaria.blogspot.com
facebook.com/CentroDeCulturaLibertaria

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

4 de Fevereiro: Documentário TERRAMOTOURISM


19:00 - Jantar
20:00 – Projecção do documentário

(com a presença dos realizadores)


TERRAMOTOURISM
Um documentário do colectivo Left Hand Rotation
Música: Ricardo Jacinto

A 1 de novembro de 1755 um terramoto destruiu a cidade de Lisboa. O seu impacto foi tal que deslocou o homem do centro da criação. As suas ruínas legitimaram o despotismo esclarecido.
Lisboa hoje treme novamente, abalada por um sismo turístico que transforma a cidade a velocidade de cruzeiro. O seu impacto desloca o morador do centro da cidade. Que novos absolutismos encontrarão aqui o seu álibi?
Enquanto o direito à cidade derruba-se, afogado pelo discurso da identidade e do autêntico, a cidade range anunciando o seu colapso e a urgência de uma nova maneira de olhar-nós, de reagir a uma transformação, desta vez previsível, que o desespero do capitalismo finge inevitável.
Left Hand Rotation é um coletivo estabelecido em Lisboa desde 2011.
Terramotourism é um retrato subjetivo de uma cidade e a sua transformação ao longo dos últimos 6 anos.
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"Eu sou um cidadão do mundo; não quero voltar ao nacionalismo, mas se amanhã amamos apenas o que está longe sem estarmos conscientes de que odiamos o próximo porque está presente, porque cheira mal, porque faz barulho, porque me incomoda e porque me faz exigências, diferente do que está longe, do qual me posso livrar; se amanhã insistirmos em preferir o que está longe em detrimento do que está perto, destruiremos a cidade, ou melhor, o direito à cidade."
Paul Virilio – O Cibermundo, a política do pior.

lefthandrotation.com
museodelosdesplazados.com
lefthandrotation.blogspot.pt/2

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

18 de Janeiro de 1934: greve geral insurreccional contra a ditadura nacional do Estado Novo


«O concelho de Almada tem então cerca de 23 000 habitantes e a vila pouco mais de 8000, sendo uma parte população flutuante, como nos dias de hoje. A população operária é mais heterogénea em termos sócio-profissionais do que a da Marinha Grande, centro essencialmente vidreiro, ou do que a de Silves, exclusivamente formada por corticeiros.
Em Almada a eclosão do movimento é marcada, na madrugada de 18, pelo corte da linha telefónica e pela sabotagem do cabo submarino entre a Trafaria e Porto Brandão, únicos actos violentos dignos de registo.
Com muitas ou poucas acções espectaculares — menos, em todo o caso, do que as verificadas na vizinha Lisboa, para já não falar da Marinha Grande ou de Coimbra —, os trabalhadores, esses, aderem à greve, ainda que surjam dois comportamentos diferentes.
Trabalhadores há que se apresentam ao serviço, iniciam normalmente a sua actividade às 8.30 e a instâncias de grupos de grevistas que percorrem os locais de trabalho apelando à greve acabam por abandoná-lo e recolher a suas casas. Estão neste caso os operários fabris de Cacilhas, os chauffeurs de táxis que fazem serviço no Largo Costa Pinto, os motoristas das empresas de camionagem que servem todo o concelho e ainda os operários dos estaleiros da Parry & Son.
Outros — o operariado da vila de Almada e o do restante concelho — nem sequer comparecem nos locais de trabalho. Estão neste caso os corticeiros da vila, designadamente os das fábricas Harry Bucknall & Sons, Rankin & Sons, Armstrong & Cork, bem como os que trabalham no Caramujo, Cova da Piedade, Ginjal, Margueira, Banática, Mutela e arredores, ou seja, todos os corticeiros do concelho. E também os operários das fábricas de moagem Aliança e dos Moinhos Reunidos, ambas situadas na Cova da Piedade, os operários dos estaleiros de barcos de madeira da Mutela, os operários de algumas fábricas de conservas, todos os operários da construção civil com obras na Mutela, Cova da Piedade, Porto Brandão, Trafaria, Caparica e Almada, com destaque para os 500 operários que nesta última localidade trabalham então na construção do Arsenal do Alfeite. E o mesmo se passa com os operários de serviços metalúrgicos do concelho e com os operários dos depósitos da Shell, situados na Banática, com os da fábrica de gelo da Companhia Portuguesa de Pesca, no Olho de Boi, e, enfim, com os estivadores e descarregadores de cais.
De uma maneira ou de outra, toda a população industrial do concelho adere à greve. E nem as forças da polícia locais, nem a chegada de 30 praças da GNR, nem a de 40 marinheiros e 2 sargentos da Armada, com os respectivos tenentes, nem as operações de policiamento e de demonstração de força que a sua permanência nas ruas representa — a que se juntará ainda no próprio dia 18 a suspensão do jornal local O Almadense —, levarão a maior parte dos grevistas a apresentarem-se ou a retomarem o trabalho. Apenas os motoristas de camionagem, após terem sido requisitados pelo administrador do concelho, rompem a greve ao fim do dia 18.
Mesmo a 19, se a maioria do operariado retoma o trabalho, alguns impenitentes se mantêm. Os operários corticeiros — com excepção dos da Margueira — e os operários das fábricas de moagem vão permanecer em greve, o que levará à prisão de 24 dos principais dirigentes sindicais do concelho de Almada, e só regressam ao trabalho a 20.»

Maria de Fátima Patriarca, “O «18 de Janeiro»: uma proposta de releitura”, Análise Social, vol. XXVII (123-124), 1993, pp. 1137-1152